018
FIORATI, Regina Célia; SAEKI, Toyoko. O acompanhamento terapêutico na
internação hospitalar: inclusão social, resgate de cidadania e respeito à
singularidade. Interface: Comunicação, Saúde, Educação,Botucatu,
v. 12, n. 27, p. 763-772, 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/icse/v12n27/a07v1227.pdf
Esta
pesquisa foi realizada em unidade de internação psiquiátrica de crise, com
objetivo de elaborar proposta de implementação do acompanhamento terapêutico
(AT), para compor o programa terapêutico dessa unidade. Trabalhou-se com a
concepção de acompanhamento terapêutico como recurso importante para integrar
projetos de reabilitação psicossocial, tendo as seguintes finalidades: vincular
o usuário em serviço extra-hospitalar, evitar as reinternações hospitalares e
inclusão na rede social. A pesquisa constituiu um estudo de caso
exploratório-descritivo, com abordagem qualitativa dos dados. Como técnica de
coleta e registro dos dados, utilizou-se a observação participante e o diário
de campo. As dificuldades vivenciadas relacionaram-se com esfera das redes
sociais, família, relações institucionais e sociedade. Os resultados incluíram:
acolhimento do sofrimento do portador e da família; inclusão dos usuários em
redes sociais; serviços extra-hospitalares; e organizações comunitárias.
AGENTES
COMUNITÁRIOS DE SAÚDE
019
BARROS, Márcia Maria Mont'Alverne de; CHAGAS, Maristela Inês Osawa; DIAS, Maria
Socorro de Araújo. Saberes e práticas do agente comunitário de saúde no
universo do transtorno mental. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de
Janeiro, v. 14, n. 1, p. 227-232, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csc/v14n1/a28v14n1.pdf
Esta
investigação, de natureza qualitativa, objetivou conhecer os saberes e práticas
do agente comunitário de saúde no universo do transtorno mental. Foram
entrevistados catorze agentes que atuam na Estratégia Saúde da Família de
Sobral, Ceará. Inferimos que a construção dos conceitos acerca do transtorno
mental é um processo influenciado por fatores subjetivos e socioculturais e
vinculado à vivência de experiências concretas. Os agentes comunitários de
saúde utilizam diferentes parâmetros para conceituar uma pessoa com transtornos
mentais, como padrões de normalidade ou anormalidade do comportamento e
capacidade de realizar julgamentos de fato. O isolamento social emergiu como
importante fator, tendo sido relatado, pelos diferentes sujeitos da pesquisa,
como causa, conseqüência e como o próprio transtorno mental. O medo, como
conseqüência da estranheza causada pelo comportamento das pessoas com
transtornos mentais, foi identificado como um importante entrave à atuação dos
agentes comunitários de saúde. As estratégias adotadas por estes profissionais,
pautadas fundamentalmente no diálogo, revelam a preocupação com a inserção
social e com a necessidade de envolvimento das famílias no cuidado das pessoas
com transtornos mentais.
ENFERMAGEM
020
MIELKE,
Fernanda Barreto et al. O cuidado em saúde mental no CAPS no
entendimento dos profissionais. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de
Janeiro, v. 14, n. 1, p. 159-164, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csc/v14n1/a21v14n1.pdf
Trata-se de
um subprojeto da pesquisa Avaliação dos CAPS da região sul do Brasil, tendo
como objetivo conhecer o entendimento dos profissionais de um serviço
substitutivo sobre o cuidado em saúde mental prestado neste espaço. Estudo com
abordagem qualitativa, realizado em um CAPS II. A coleta dos dados ocorreu através de entrevistas. Os dados foram classificados em três temáticas,
analisados segundo a literatura disponível. Neste artigo, abordaremos a
temática que trata do entendimento dos profissionais do serviço sobre o cuidado
que é prestado neste local. Os resultados mostram que o cuidado para estes
profissionais abrange aspectos que vão além do biológico, incluindo também a
família e a sociedade. Percebemos que a equipe do serviço está ampliando seu
olhar sobre a saúde mental, quando compreende a reabilitação psicossocial como
o centro do cuidado
PROGRAMA
SAÚDE DA FAMÍLIA
021
JUCA, Vládia Jamile dos Santos; NUNES, Mônica de Oliveira; BARRETO, Suely
Galvão. Programa de Saúde da Família e saúde mental: impasses e desafios
na construção da rede. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.
14, n. 1, p. 173-182, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csc/v14n1/a23v14n1.pdf
O presente artigo é fruto de uma pesquisa denominada " A dinâmica do
cuidado em saúde mental: signos, significados e práticas de profissionais no
PSF e no CAPS" , cujo objetivo central era compreender como os
profissionais de saúde interpretam o sofrimento mental e, para reduzi-lo,
planejam e desenvolvem suas intervenções em dois contextos: PSF e CAPS. Para
tanto, fizemos um trabalho de campo que envolve desde observação e
acompanhamento de práticas desenvolvidas pelos profissionais dos serviços em
questão até entrevistas com os mesmos. Apresentaremos, nesse momento, os dados
produzidos acerca do PSF, em que, além das estratégias acima descritas, foram
também realizados grupos focais. Os dados foram posteriormente analisados a
partir de categorias previamente definidas. Como resultados, foi possível
identificar que os profissionais experenciam dificuldades diversas que vão
desde a identificação do sofrimento mental, passando pelos impasses relativos
ao manejo de situações específicas até as questões relativas ao encaminhamento
para os serviços especializados. Por outro lado, é importante destacar o quanto
os profissionais se mostraram sensíveis ao sofrimento social, articulando-o,
inclusive, ao sofrimento psíquico.
REFORMA
PSIQUIÁTRICA
022
HIRDES, Alice. A reforma psiquiátrica no Brasil: uma (re) visão. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 14, n. 1, p. 297-305,
2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csc/v14n1/a36v14n1.pdf
Este artigo tem por objetivo
contextualizar a reforma psiquiátrica brasileira, a partir da revisão dos
marcos políticos, teóricos e práticos. Foram pesquisadas dissertações, teses,
artigos em bases de dados (Scielo), livros sobre a temática e documentos oficiais
(relatórios de conferências, leis, portarias) de 1990 a 2007. Os resultados evidenciam os avanços e desafios da reforma psiquiátrica, apontam para a
necessidade urgente da capacitação dos operadores, a utilização da atenção
básica, particularmente a estratégia do Programa de Saúde da Família; o
financiamento da atenção básica; a adoção dos princípios da reforma
psiquiátrica; a articulação tratamento, reabilitação psicossocial; clínica
ampliada; projetos terapêuticos individualizados, construídos coletivamente,
mediante abordagens inter/transdisciplinares; e a avaliação das práticas em curso. Finaliza apontando que os projetos de reforma não são homogêneos, as práticas são
executadas conforme a concepção teórica dos trabalhadores de saúde mental, ou seja,
existem princípios orientadores gerais, mas que, em última análise, estão
subordinados aos settings específicos onde ocorrem as práticas.
023
LUZIO, Cristina Amélia; L'ABBATE, Solange. A atenção em saúde mental em
municípios de pequeno e médio portes: ressonâncias da reforma psiquiátrica. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 14, n. 1, p. 105-116.
2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csc/v14n1/a16v14n1.pdf
A partir da
análise da Política Nacional de Saúde Mental formulada nos últimos anos e das
experiências desenvolvidas após 1987 no país, procura-se compreender como o
Sistema Único de Saúde tem contribuído ao avanço da reforma psiquiátrica nos
municípios; verificar como a assistência oferecida nesses municípios está
viabilizando os princípios da reforma psiquiátrica e a melhora das condições de
vida dos usuários, bem como pesquisar o papel dos trabalhadores e gestores na
construção de novas práticas de cuidado em Saúde Mental. A análise das práticas discursivas aponta que os vários segmentos sociais
envolvidos na Saúde Mental conhecem os princípios e propostas da reforma
psiquiátrica. No entanto, as gestões municipais não assumem integralmente as
propostas do Ministério da Saúde para a área, sob a alegação de falta de
recursos financeiros para a contrapartida exigida. Os usuários e familiares têm
aos poucos assumido as novas propostas de intervenção, mas os mecanismos de
participação e organização popular ainda são incipientes. Por fim, deve-se
destacar que, para uma efetiva consolidação das propostas atuais da reforma
psiquiátrica, é necessário um maior compromisso dos gestores com a atenção em Saúde Mental, maior investimento nas equipes multiprofissionais, o estímulo à organização e à
participação dos usuários e familiares e a integralidade dos dispositivos de
saúde, de assistência social e de cultura existentes nas cidades.