Goiânia, 07 de novembro de 2005.

O ESTRESSE E O ENFERMEIRO HOSPITALAR

Silvia Helena Henriques Camelo

Tem-se exigido do trabalhador da saúde um atuar em conformidade com os anseios organizacionais, sem contudo lhe oferecer como contrapartida fundamental maior atenção para com suas próprias dimensões psico-sócio-espirituais. O enfermeiro, por ser um dos profissionais de saúde que mais tempo permanece no hospital, vive com maior intensidade as situações que dele emanam. O presente estudo tem como objetivos identificar as fontes de estresse na atividade ocupacional de enfermeiros assistencialistas em um hospital geral e conhecer as estratégias usadas para gerenciar os eventos estressantes. O trabalho desenvolvido teve um caráter exploratório, e para a análise do estudo, optamos pela abordagem qualitativa. Este estudo foi desenvolvido em um hospital geral privado do município de Araraquara, sendo a amostra composta por 9 enfermeiras. Foi utilizado um roteiro constituído de caracterização dos sujeitos, e questões como: “O que deixa você tenso(a) no seu ambiente de trabalho?” e “Quais as estratégias utilizadas para lidar com as situações estressantes?”. A amostra foi composta de 100% do sexo feminino, sendo 62,5% com idade entre 25 e 28 anos e 50% casadas. Obteve-se como resultados 6 categorias distribuídas em temas: cultura organizacional, relacionamento interpessoal e condições organizacionais. Com relação a cultura organizacional, o estudo nos mostra a “falta de liberdade e oportunidade para a enfermeira”. Neste caso, o enfermeiro não consegue ser reconhecido no seu papel. O outro tema, relacionamento interpessoal, inclui o relacionamento com familiares, com outros profissionais, com supervisores e relação profissional-cliente. Quanto a estas questões, os enfermeiros relatam que, a falta de conhecimento dos profissionais com relação a patologia do cliente, a falta de educação, respeito e cordialidade advinda de outros profissionais, podem ser motivo de tensão. O tema que se refere às condições organizacionais, traz a questão da falta de recursos humanos, onde as enfermeiras relatam que para suprir esta falta, é preciso um redimensionamento do pessoal, gerando um clima de tensão. As estratégias relatadas pelas enfermeiras para o controle de situações de estresse são: auxiliar a equipe, ouvir, ter conhecimento técnico-científico e harmonia no relacionamento com a equipe de saúde. Os conteúdos reportam aspectos importantes no ambiente hospitalar que devem ser trabalhados, na medida em que o enfermeiro necessita prestar uma assistência com qualidade ao cliente.

Correspondência para: Silvia Helena Henriques Camelo, e-mail: jscamelo@uol.com.br