Goiânia, 07 de novembro de 2005.

A LOUCURA PARA ALUNOS E EGRESSOS DE ENFERMAGEM

Silvana Chorratt Cavalheri

Estudo com objetivo de conhecer a percepção de alunos de graduação e egressos de uma Escola de Enfermagem sobre o doente mental e, compreender como o ensino de enfermagem psiquiátrica repercute nesse processo. Para tanto, foi usado o método qualitativo com enfoque na Fenomenologia Social e, como recurso de desvelamento da essência do fenômeno, foram realizadas entrevistas com nove alunos ingressantes no curso de graduação que não haviam experimentado o ensino na área da Saúde Mental utilizando as seguintes questões norteadoras: Doente mental: quando você ouve esta palavra que imagens lhe vêm á mente? Como foi sendo constituída, ao longo de sua vida, esta percepção que você tem do doente mental? No entanto, aos dez enfermeiros egressos, também sujeitos desta investigação, foi acrescida a questão: Após ter cursado a Disciplina Enfermagem Psiquiátrica, houve alteração na sua percepção em relação ao Doente Mental? Dos discursos dos sujeitos emergiram cinco categorias concretas do vivido: percebendo uma pessoa diferente; pessoas que despertam medo; pessoas que despertam dó e compaixão; preconceito e contextualizando a percepção sobre o doente mental. Embora tenha sido possível encontrar semelhança inicial entre os discursos dos alunos e dos egressos no que se refere à percepção constituída, duas outras categorias originaram-se pautadas na vivência do processo ensino-aprendizagem proporcionada pela Disciplina Enfermagem Psiquiátrica: pessoa que precisa de ajuda, reelaboração da percepção. O tipo vivido do aluno quando á percepção do doente mental, foi assim constituído: uma pessoa diferente, violenta, sem controle, que perde a razão, sem habilidades e condições de viver socialmente, que desperta emoções conflitantes como medo, preconceito e compaixão. O egresso retrata um tipo vivido que concebe o doente mental como uma pessoa que precisa de ajuda, pois a falta de conhecimento, de recursos psíquicos e emocionais dos profissionais, das famílias e da sociedade favorece a segregação e a exclusão. Assim, os doentes atendidos sob este novo paradigma, por agirem sem auto-estigmatizarem, estabelecem um novo modelo de relação com os profissionais. O estudo permitiu compreender que o estigma do doente mental, construído socialmente, está bastante arraigado nos sujeitos e, portanto, em nosso alunos, muito do que se verifica como fruto da própria psiquiatria e que transformações ocorrerão a partir da vivencia de forma plena do novo modelo.

Correspondência para: Silvana Chorratt Cavalheri, e-mail: silvanac@puc-campinas.edu.br