AÇÕES DE CONTROLE DA HANSENÍASE NA ATENÇÃO BÁSICA: O QUE INTERFERE
Edna Magalhães de Alencar Barbosa
Virgínia Visconde Brasil
A hanseníase é uma doença endêmica nacional que apesar das medidas de prevenção e controle que vêm sendo adotadas visando sua eliminação, ainda se constitui um problema de saúde pública. Eliminar a hanseníase significa reduzir a prevalência da doença a menos de um caso em 10. 000 habitantes, meta estipulada pela Organização Mundial de Saúde. O estado de Goiás tem como estratégia a descentralização das ações de controle para os serviços de atenção básica, com destaque no PSF (Programa Saúde da Família). A alta prevalência da doença, inclusive entre crianças e a baixa cobertura de Unidades de Saúde nos remeteram a investigar quais fatores interferem para que a integração das ações aconteça. Estudo descritivo, dados obtidos a partir de observação sistemática durante supervisão nos serviços de saúde dos 10 municípios mais prevalentes e após aplicação de formulário durante um Seminário com Coordenadores de Vigilância Epidemiológica e PSF destes municípios. Utilizou-se a técnica de análise de conteúdo e os fatores foram agrupados em três âmbitos temáticos: a integração requer decisão política, revisão de capacitação de recursos humanos e compromisso profissional e da comunidade. Destacaram-se como dificultadores da integração das ações o inexpressivo envolvimento do gestor e a baixa cobertura das ações pelo PSF, a necessidade de capacitação de recursos humanos e de revisão da política de contratação e salarial bem como o preconceito por parte da comunidade e dos profissionais. Concluiu-se que a integração, condição indispensável à efetivação de uma assistência, ainda não é garantida. É preciso autonomia e vontade política, com ênfase nos gestores municipais que deverão envolver-se diretamente com a proposta, assumindo a descentralização das atividades de diagnóstico e tratamento na rede básica de saúde. Maior discussão sobre o programa da hanseníase nas instituições de ensino resultará em conhecimento dos profissionais em relação a este agravo. A deformidade física e o medo da exclusão social são causas do temor da população em buscar os serviços. O esclarecimento dos sintomas, tratamento gratuito e cura são pontos estratégicos da redução do estigma. A hanseníase é um problema de responsabilidade dos poderes públicos, equipe de saúde e comunidade. É preciso compromisso e vontade de todos na busca dos meios necessários à assistência de qualidade, compreendendo que apenas a presença de recursos humanos e materiais não garantem a efetividade de um trabalho.
Correspondência para: Edna Magalhães de Alencar Barbosa, e-mail: ednadealencar@yahoo.com.br
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