A DOENÇA DO PÉ: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE PESSOAS COM DIABETES TIPO 2
Denise Maria Guerreiro Vieira da Silva
Maria Seloi Coelho
INTRODUÇÃO: Esta é uma pesquisa qualitativa do tipo convergente assistencial, que teve como objetivo compreender as representações sociais do pé diabético para pessoas com Diabetes mellitus tipo 2, inspirado na Teoria das Representações Sociais, proposta por Serge Moscovici (1961). METODOLOGIA: A pesquisa foi realizada em um serviço ambulatorial de diabetes, em Santa Catarina. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, com 10 sujeitos com diabetes tipo 2 e a implementação de um grupo de convivência, através do qual procuramos identificar as representações sociais sobre o pé diabético. A análise de conteúdo aconteceu em três etapas: pré-análise; exploração do material e; tratamento dos resultados obtidos e interpretação. RESULTADOS: Na representação do pé diabético surgiram duas categorias que foram a doença do pé que inclui como subcategorias: alterações percebidas e ameaças presentes e; o cuidado com os pés, que inclui as subcategorias: o cuidado como preocupação com o futuro e não cuidado como sentimento de culpa. Estas representações estão ancoradas em informações científicas interpretadas no cotidiano do senso comum; informações dos meios de comunicação; mas principalmente na experiência social de convívio com pessoas que desenvolveram a doença do pé. A representação do pé diabético foi objetivada pelas alterações, mas além das alterações físicas surgiu uma preocupação muito representativa das ameaças de amputação e morte. Ao deparar-se com a doença do pé emergem muitos sentimentos que revelam preocupação com o futuro, medo de perder parte de corpo e parte da vida, há uma sensação de proximidade com a morte. Movidos pelas representações de alterações e ameaças os sujeitos buscam no cuidado uma esperança de não desenvolver a doença do pé ou “controlar” a situação já instalada. Quando ocorre o não cuidado os mesmos sentem-se culpados por terem conhecimentos e não se cuidarem. O não cuidado pode, impulsionado pelo sentimento de culpa, transformar-se em cuidado. CONSIDERAÇÕES FINAIS: As representações sociais contribuíram na busca da compreensão do modo como os sujeitos com diabetes, enquanto grupo social, constroem um conjunto de saberes que expressam sua identidade e fundamentam seus comportamentos, especialmente vinculado ao pé diabético. A representação da doença do pé busca uma reflexão sobre a importância da valorização do sujeito social, ser humano pensante, com paradigmas próprios que influenciam suas interpretações e atitudes de cuidado.
Correspondência para: Maria Seloi Coelho, e-mail: seloicoelho1@brturbo.com.br
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