ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA DETECCÃO PRECOCE DE ALTERAÇÕES MAMÁRIAS
Marizete Camilo da Silva Costa
Lilia Cardoso de Ramos
Nilza Alves Marques Almeida
A detecção precoce de alterações mamárias, especialmente, nódulos mamários pode garantir um maior sucesso de tratamento nos casos de câncer de mama. O auto-exame é o método mais simples e menos oneroso para detectar essas alterações. Já o exame clínico deve ser realizado anualmente por um profissional de saúde treinado, prioritariamente médico ou enfermeiro. No contexto de promoção da saúde e prevenção de doenças, o enfermeiro pode ser o agente principal. Este estudo teve como objetivo caracterizar a atuação do enfermeiro na detecção precoce de alterações mamárias em usuárias de Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Goiânia. Trata-se de uma pesquisa de campo, descritiva, com abordagem quanti-qualitativa realizada com dezessete enfermeiras das UBS do Distrito Sanitário Leste. Foi aplicado um questionário semi-estruturado abordando o perfil profissional, o conhecimento teórico-prático do enfermeiro sobre o auto-exame e o exame clínico das mamas, a aplicação do processo de enfermagem e de educação em saúde a mulher. Das dezessete enfermeiras, 58,8% graduaram na Universidade Católica de Goiás e 41,2% na Universidade Federal de Goiás. O conhecimento teórico e prático sobre exame clínico e auto-exame das mamas foi adquirido por 82,3% dos enfermeiros na graduação e o aprimoramento desse conhecimento por 88,2% em cursos de capacitação após a graduação. Em relação à aplicação deste conhecimento durante a consulta de enfermagem, todas as enfermeiras referiram orientar e ensinar o auto-exame às mulheres, mas somente dez (58,8%) descreveram corretamente a técnica. Entre elas, dezesseis (94,1%) orientam a importância do auto-exame. Quanto ao exame clínico das mamas, treze (76,5%) afirmaram realiza-lo durante a consulta, mas apenas quatro (30,7%) descreveram corretamente a técnica. O processo de enfermagem é aplicado sistematicamente por sete (41,2%) enfermeiras com protocolo específico para consulta e dez (58,8%) não o realizam. Entre essas dezessete enfermeiras, treze (76,5%) planejam e implementam as ações e quatro (23,5%) não. De acordo com esses dados, conclui-se que possivelmente houve lacunas na assistência por falta de sistematização e aplicação do processo de enfermagem. Diante desse contexto, destaca-se a necessidade de investimento por parte da Secretaria Municipal de Saúde na promoção de curso de atualização com enfoque no processo de enfermagem, visando à melhoria da qualidade da assistência e redução nos custos da atenção à saúde a mulher.
Correspondência para: Marizete Camilo da Silva Costa, e-mail: camiloenf@yahoo.com.br
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