AÇÃO DA ENFERMAGEM NA ARTICULAÇÃO DA SAÚDE MENTAL COM A ATENÇÃO BÁSICA
Suyane de Souza Lemos
Monalise Lemos
Maria da Graça Girade Souza
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 450 milhões pessoas sofrem de transtornos mentais, resultantes de uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais. A rede básica de saúde caracteriza-se por ser a principal porta de entrada das pessoas na busca de ter suas necessidades básicas atendidas. O enfermeiro é o primeiro profissional que se relaciona com a pessoa que busca ajuda nos serviços de saúde, motivo este para que o profissional de enfermagem esteja mais preparado, pois, além disso, a assistência que o enfermeiro proporciona não só ajuda o paciente como também a família e a comunidade. A desinstitucionalização propõe uma transformação no campo do saber, das práticas profissionais, educacionais e institucionais da saúde mental. Essas transformações estão em consonância com a visão emergente de doente mental, pois distanciam-se das antigas visões punitivas e excludentes, inaugurando tanto na prática como no discurso, contextos criativos e inovadores, sobre o sofrimento psíquico dos sujeitos. O PSF atua com a lógica da desinstitucionalização, constituindo-se numa estratégia adequada para trabalhar a saúde mental na atenção básica. Por considerar que o PSF é local propício para a ação preventiva e de detecção precoce das doenças mentais desenvolvemos o presente estudo, objetivando identificar se o enfermeiro está preparado para exercer as ações de promoção da saúde mental, as de cunho preventivo e detectar precocemente as doenças mentais. O estudo é descritivo- exploratório, de natureza qualitativa utilizando- se um questionário que visa identificar o preparo desses profissionais ao lidarem com portadores de doenças mentais. Foram entrevistados 4 enfermeiros que atuam no PSF- São José do Rio Preto - SP. Os dados foram relacionados de acordo com a sua especificidade. Os discursos revelaram a falta de qualificação e treinamento específico para trabalhar saúde mental na rede básica, a importância de uma equipe multiprofissional, a necessidade da humanização da assistência prestada. Portanto, podemos concluir que o PSF promove vínculo entre profissional, paciente e família, no entanto, é necessário a capacitação dos profissionais, a humanização da assistência para detecção precoce dos casos e articulação intersetorial para alcançar os objetivos de desospitalização e resgate da cidadania dos doentes mentais.
Correspondência para: Suyane de Souza Lemos, e-mail: suyane_lemos@yahoo.com.br
|