Goiânia, 07 de novembro de 2005.

SEXUALIDADE NO CLIMATÉRIO: EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS

Zeile da Mota Crispim

Ivone Silva Melo Almeida

O climatério feminino é tema de interesse e pesquisa mundial, e o Brasil tem dado especial atenção a esta fase da vida da mulher. O climatério compreende um período de transição quando ocorre a perda da fertilidade causada pela falência ovariana progressiva. O presente trabalho estuda a sexualidade feminina no climatério abordando as principais mudanças ocorridas nessa etapa da vida. A sexualidade como qualquer outra área significativa do comportamento de uma pessoa, revela algo sobre sua personalidade ou sobre o seu modo de ser no mundo. Ela pode ser compreendida como uma forma do indivíduo se expressar, se relacionar e, não como “causa” de seu comportamento. Buscou-se neste estudo conhecer as experiências sexuais vivenciadas por mulheres no climatério, através de uma pesquisa qualitativa descritiva. Foi utilizado como instrumento de coleta de dados uma entrevista semi-estruturada, aplicando-se um questionário a dez mulheres na faixa etária de 45 a 60 anos, no período de fevereiro a março de 2004, em uma Unidade Básica de Saúde na cidade de Anápolis – GO. A análise das questões aplicadas permitiu o surgimento das seguintes categorias: nível de compreensão sobre o climatério; posição das mulheres em relação ao climatério; principais sintomas relatados pelas mulheres; vivência sexual; alterações no relacionamento conjugal e nível de compreensão sobre sexualidade. Os resultados demonstraram que esta síndrome deve ser tratada nos seus mais variados níveis, permitindo assim uma adequada integração da mulher nesta nova fase da vida, visando um melhor desempenho sexual. Observou-se que o tema sexualidade não é abordado freqüentemente e nem naturalmente em nenhuma etapa da vida das mulheres. Certamente sexualidade, sexo, erotismo, prazer sexual, são assuntos pouco falados e, menos ainda, questionados. A sexualidade não deve continuar sendo considerada um tabu. O conhecimento das mudanças sexuais das mulheres, melhora a qualidade da assistência profissional e a compreensão do ser humano. Demonstrou-se ainda que estas mulheres necessitam de ajuda dos profissionais de saúde, em especial do enfermeiro, profissional de visão holística, com disponibilidade para avaliar e compreender os conflitos vividos.

Correspondência para: Zeile da Mota Crispim, e-mail: zeile@ig.com.br