Goiânia, 07 de novembro de 2005.

AUTOCUIDADO COM GESTANTE - PARCERIA PARA AUTONOMIA

Sandra Valéria Martins Pereira

Maria Márcia Bachion

A assistência obstétrica de qualidade, humanizada e voltada para o resgate do protagonismo da mulher é congruente ao conceito do autocuidado de Orem, que teve sua gênese no método de ajuda, na práxis e liberdade humana. A Consulta de Enfermagem norteada por modelos conceituais e pelas taxonomias de classificação da prática de enfermagem, contribui para humanização do cuidado, amplia a teoria prescritiva da enfermagem, a autonomia e visibilidade do enfermeiro junto á equipe multidisciplinar. Buscamos determinar o perfil de Diagnósticos de Enfermagem e analisar os resultados alcançados por uma mulher no ciclo gravídico-puerperal de baixo risco em relação às diretrizes das políticas públicas de humanização do pré-natal e nascimento. Estudo de caso clínico, longitudinal, desenvolvido a partir do Processo de Enfermagem fundamentado em Orem e nos Sistemas de classificação da prática de enfermagem. Envolveu uma primigesta, a partir da 36ª semana gestacional, por seis meses, durante 28 Consultas de Enfermagem, numa maternidade do estado de Goiás, após atendimento das exigências éticas da pesquisa. Os problemas da mulher foram classificados conforme a taxonomia II da North American Nursing Diagnosis Association - NANDA, o status de saúde e resultados julgados segundo a e Nursing Outcomes Classification – NOC. Concluímos que a saúde materna e vitalidade fetal no pré-natal se mantiveram normais, predominando desconfortos inerentes a gravidez e desvio leve do peso materno. A mulher possuía capacidade para o autocuidado, mas apresentava déficits do conhecimento sobre gravidez, parto humanizado e amamentação, que determinaram os diferentes Diagnósticos de Enfermagem: Conhecimento deficiente, Risco para amamentação ineficaz e outros. No parto cirúrgico por distócia apresentou: Dor, Mobilidade física prejudicada e Risco para aspiração. No puerpério predominou o Conhecimento deficiente, Risco para amamentação ineficaz e Risco para amamentação interrompida. A mulher cresceu no autocuidado, manteve amamentação exclusiva ao seio por seis meses. Alcançou quase que totalmente as diretrizes de humanização do pré-natal e nascimento. A consulta de enfermagem fundamentada no autocuidado promoveu a interação com a cliente e o autogoverno da mulher, comprovando a importância e autonomia do enfermeiro na prática obstétrica.

Correspondência para: Sandra Valéria Martins Pereira, e-mail: sandrava@brturbo.com.br