EPILEPSIA E SUAS REPERCUSSÕES NA ADOLESCÊNCIA
Francisco Rosemiro Guimarães Ximenes Neto
Epilepsia e Suas Repercussões Na Adolescência
A epilepsia é uma doença caracterizada por crises epilépticas recorrentes e espontâneas, que comumente causam profundas complicações físicas e psicológicas, afetando toda a situação de vida do doente. Na adolescência a epilepsia intensifica suas repercussões, visto os desequilíbrios e instabilidades próprios desta fase da vida. Diante desta problemática tornou-se imprescindível analisar como as pessoas que convivem com o adolescente portador de epilepsia o tratam, caracterizar o perfil sócio-demográfico destes adolescentes, investigar junto a eles as atitudes das pessoas após presenciarem a crise epiléptica e identificar se os adolescentes portadores de epilepsia interromperam alguma atividade após serem diagnosticados. Para tanto, desenvolveu-se esta pesquisa de caráter exploratório-descritivo, com 17 adolescentes, assistidos pela Estratégia Saúde da Família da sede do município de Sobral-CE, cujos dados foram coletados através de um formulário e uma entrevista semi-estruturada, durante o período de janeiro a maio de 2004. Verificou-se que em relação ao perfil, predominou o seguinte: sexo feminino, solteiro, estudante, com 7 a 12 anos de estudo e apresentando uma renda familiar de até 01 (um) salário mínimo. Constatou-se que a epilepsia causa espanto, preocupação e medo aos seus expectadores no momento de uma crise. Identificou-se, que 47% referiu ter interrompido alguma atividade após o diagnóstico de epilepsia, apresentando restrições ao lazer, ter deixado de estudar e sofrer algum tipo de discriminação. Quanto a epilepsia foi identificado que a mesma causa espanto, preocupação e medo aos seus expectadores, que os adolescentes portadores de epilepsia têm restrições ao lazer e são discriminados, comprometendo as relações sociais desses indivíduos. Os impactos causados pela epilepsia aos adolescentes, transcende aos aspectos físicos; as repercussões sociais, são tão limitantes quanto as crises epilépticas e merecem igual atenção pelos profissionais da saúde. Os dados deste estudo servem de alerta para os gestores em saúde, a fim de que sejam traçadas estratégias que abordem o portador de epilepsia, em particular o adolescente, de forma integral, que sejam desenvolvidas políticas de saúde que visem à educação, não apenas ao controle das crises epilépticas. Todavia, cabe a todos nós, enquanto profissionais da saúde, cidadãos, dar uma nova conotação à epilepsia, desmistificando-a, acabando com o preconceito que ainda é imposto por ela.
Correspondência para: Francisco Rosemiro Guimarães Ximenes Neto, e-mail: rosemironeto@gmail.com
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