Goiânia, 07 de novembro de 2005.

VIVENCIANDO O TRANSPLANTE: UM ESTUDO DE CASO COM ENFOQUE NA FAMÍLIA

Gisele Fráguas

Márcia Eller Salviano

Maria Teresinha de Oliveira Fernandes

Sônia Maria Soares

Trata-se de um estudo de caso que buscou compreender as diferentes situações vivenciadas por uma família frente a hospitalização de um de seus membros para o transplante de medula óssea. Utilizando-se do Modelo de Calgary de Avaliação (MCAF) e Intervenção da Família (MCIF) e da Classificação Taxonômica da NANDA foram propostas e implementadas intervenções para esta família. O Modelo de Calgary é uma estrutura multidimensional, integrada e baseada em sistemas utilizada para a exploração e avaliação estrutural, de desenvolvimento e funcional da família (WRIGHT& LEAHEY, 2002). A família como unidade de cuidado tornou-se uma das perspectivas, da atualidade, no trabalho da enfermagem. É importante que o enfermeiro se mostre disponível no atendimento às necessidades da família incentivando seus membros na identificação de suas forças e de suas dificuldades no enfrentamento de situações emergentes. Baseando-se nos pressupostos do Modelo Calgary de Avaliação e Intervenção da Família foram realizadas entrevistas com a paciente e seus familiares no momento da hospitalização e depois na Unidade de Transplante do Hospital das Clínicas da UFMG no mês de Junho de 2005. Após informar à família sobre o objetivo do nosso trabalho e esclarecer dúvidas referentes ao mesmo, foi assinado o Termo de Consentimento Ético Livre e Esclarecido, conforme exigência da Resolução 196 do Conselho Nacional de Saúde. O transplante de medula óssea é um procedimento terapêutico que envolve situações singulares, tais como: longo tempo de preparo, cumprindo o protocolo pré-transplante, que inclui a criteriosa escolha de um doador genotipicamente idêntico ao receptor (em geral um irmão); um período de segregação de no mínimo trinta dias de hospitalização convivendo com grave risco de vida. Após a alta, o paciente ainda tem um “follow-up” ambulatorial rigoroso (AZEVEDO, 2004), envolvendo-se em situações que trazem profundas repercussões na dinâmica familiar. No caso estudado observamos que a família se reorganizou ao enfrentar a situação de saúde emergente, tendo como apoio a equipe multidisciplinar do transplante, em especial o cuidado do enfermeiro. O estudo também possibilitou às autoras compreender como esta família cuida, identifica seu potencial, suas dificuldades e seus esforços para partilhar responsabilidades diante de uma situação de insegurança, sofrimento e de um prognóstico pouco favorável.

Correspondência para: Gisele Fráguas, e-mail: g_fraguas@hotmail.com