Goiânia, 07 de novembro de 2005.

QUALIDADE DE SONO DE NEFROPATAS ANTES E APÓS TRANSPLANTE RENAL

Gisleine Roberta Bonatelli

Maria Filomana Ceolim

Pessoas com doença renal em estágio terminal em tratamento hemodialítico têm elevada incidência de distúrbios do sono mas, segundo a literatura, há melhora da qualidade do sono após a realização de transplante renal. Os objetivos deste estudo são: comparar a qualidade do sono e a sonolência diurna de dois grupos de sujeitos: Grupo A: nefropatas em tratamento hemodialítico há pelo menos seis meses; Grupo P: nefropatas submetidos a transplante renal de um a 24 meses atrás; identificar possível associação entre características de ansiedade e as variáveis relacionadas ao sono. Os instrumentos utilizados foram: Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (PSQI); Escala de Sonolência de Epworth (ESE); Inventário para Ansiedade-estado, ansiedade-traço (IDATE). Os dados foram tratados com estatística descritiva e testes específicos (Qui-quadrado, Mann-Whitney e Spearman). Participaram 33 sujeitos no Grupo A e 31 no Grupo P. Não foi observada diferença significativa entre os grupos na distribuição dos sujeitos segundo qualidade do sono (p=0,98). A pontuação obtida no PSQI sugere tendência à má qualidade do sono em ambos os grupos, sem diferença estatisticamente significativa entre eles (p=0,99). Observou-se correlação positiva estatisticamente significativa entre a pontuação global do PSQI e: número de medicamentos em uso (p<0,05); índice de ansiedade-traço (p<0,05); pontuação da ESE (p<0,01), para o Grupo A. Observou-se correlação negativa estatisticamente significativa entre a pontuação global do PSQI e tempo decorrido após o transplante (p<0,05), para o Grupo P. Os escores obtidos na pontuação da ESE indicaram sonolência diurna normal, sem diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p=0,67). Observou-se diferença significativa entre os grupos na distribuição dos sujeitos apenas segundo o estado de ansiedade (p<0,005). Os sujeitos do Grupo A apresentaram pontuação mais elevada nos índices de ansiedade-traço e estado (p<0,01), em relação ao Grupo P. Pode-se sugerir que o tempo de espera pelo transplante tenha associação com a qualidade do sono mesmo após o transplante, possivelmente devido à ação pregressa dos distúrbios metabólicos, mais intensa quanto maior sua duração. Com isso, a ausência de mudança significativa na qualidade do sono nos primeiros 24 meses após o transplante renal reforça a importância de mais estudos a respeito, aumentando-se o número de sujeitos entrevistados e o tempo decorrido desde o transplante até a data da entrevista.

Correspondência para: Gisleine Roberta Bonatelli, e-mail: gbonatelli@yahoo.com.br