Goiânia, 07 de novembro de 2005.

O ABSENTEÍSMO-DOENÇA EM UM SERVIÇO DE NUTRIÇÃO DIETÉTICA HOSPITALAR

Maria José Barbosa Sá Souza

Luciana Pereira Carvalho

Adelaide de Mattia Rocha

Solange Cervinho Bicalho Godoy

O absenteísmo-doença, tema de interesse pelos custos financeiros que acarreta e pelo impacto negativo que causa na qualidade de vida do trabalhador, representa um problema crônico no Serviço de Nutrição e Dietética (SND) do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG). Este estudo exploratório e descritivo teve como objetivo identificar as características do absenteísmo ocorrido no segundo semestre de 2004 entre os trabalhadores do SND. Fez-se um levantamento de dados junto ao Sistema Gerenciador de Recursos Humanos do HC/UFMG e entrevistas com a gerente da Unidade Funcional SND. Os resultados foram organizados em dados numéricos e percentuais e discutidos a partir das freqüências relativas. Identificou-se que a força de trabalho do SND era composta por 156 funcionários distribuídos entre nove categorias funcionais (nutricionista, técnico em nutrição, cozinheiro, auxiliar de cozinha, auxiliar de nutrição, despenseiro, auxiliar de despenseiro, copeiro e administrativo). Destes, 118 trabalhadores eram efetivos por concurso público, 14 foram admitidos por contrato administrativo e 24 copeiros admitidos em contrato temporário através de cooperativa, sendo que estes últimos foram retirados do estudo pelo risco de viés nos resultados. Identificou-se que 92% das licenças para tratamento de saúde foram destinadas a trabalhadores do quadro efetivo. Entre os 132 trabalhadores estudados, 70 se ausentaram do trabalho no período estudado, destes, 94,2% por motivo de adoecimento e 5,8% por outros motivos. As licenças saúde concentraram-se no grupo com baixa escolaridade. As categorias funcionais que se destacaram na obtenção de licenças médicas foram os auxiliares de cozinha e os copeiros. Obteve-se que 81% das licenças saúde concedidas foram de até 30 dias e 19% por período mais prolongado. As licenças–saúde concentraram-se nos trabalhadores na faixa etária entre 41 a 60 anos e com tempo de serviço entre 16 e 20 anos. Onze trabalhadores do SND estiveram em processo de readaptação funcional. Conclui-se que o absenteísmo-doença no SND é um problema relevante que necessita ser estudado e analisado considerando os determinantes do processo saúde-doença a que estes trabalhadores estão submetidos.

Correspondência para: Maria José Barbosa Sá Souza, e-mail: mariajosebass@gmail.com