PERSPECTIVA DA PUÉRPERA DO ENCONTRO COM A ENFERMEIRA NO PARTO NORMAL
Gilvania Magda Luz de Aquino
Bertha Cruz Enders
INTRODUÇÃO: Este trabalho apresenta resultados de uma pesquisa das ações da enfermeira obstetra no parto normal, fisiológico, sobre os aspectos de humanização no cuidar, na perspectiva da puérpera. OBJETIVO: Identificar as expectativas do cuidado no parto, que a mulher possui antes de vivenciá-lo com a enfermeira obstetra; verificar o atendimento, pela enfermeira obstetra, às expectativas da parturiente durante o cuidado no parto; identificar os elementos do cuidado presentes na percepção da mulher sobre a experiência do parto normal realizado pela enfermeira obstetra. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa sobre a atuação da enfermeira obstetra, qualificada na assistência no parto normal, na perspectiva da mulher atendida. O material empírico foi coletado por meio de entrevistas realizadas no domicilio, com uma amostra intencional composta de 12 mulheres que se encontravam entre o 3º e o 10º dia pós-parto e que tinham sido atendidas durante o parto por enfermeiras obstetras na Maternidade Escola Januário Cicco, Natal/RN, no período de março a junho de 2003. Neste trabalho, entre as categorias encontradas, enfocamos a interação no encontro enfermeira/cliente. RESULTADOS: Observamos que as mulheres ansiavam um bom atendimento e tinham medo da solidão e da desatenção dos profissionais. Essas expectativas cederam lugar a sentimentos de segurança e confiança perante o cuidado recebido. As percepções das mulheres acerca do encontro enfermeira/cliente no processo do nascimento, indicam a presença de elementos de humanização e de sensibilidade na interação, favorecendo que a mulher experimentasse sentimentos de confiança, segurança, identidade, tranqüilidade, amizade e até mesmo gratidão. CONSIDERAÇÕES FINAIS: As discussões revelam-nos que a atuação integral da enfermeira favoreceu que a mulher experimentasse uma afetividade no encontro e que neste cuidar estão envolvidos aspectos não somente técnicos mais humanísticos. Desta forma, um cuidado de qualidade, significativo para as mulheres deve ser revestido de afetividade. É imprescindível, portanto, que a formação tenha este enfoque. Esses resultados nos remetem às considerações sobre a cidadania da mulher no atendimento às suas necessidades que deverão constituir-se em conteúdo fundamental do currículo da enfermagem em prol de um mundo mais solidário.
Correspondência para: Gilvania Magda Luz de Aquino, e-mail: gilluz@ufrnet.br |