ADESÃO À VACINA CONTRA A HEPATITE B EM PRISIONEIROS
Graziella Elias de Souza
Adriana de Oliveira Sousa
Gisella Souza Pereira
Marcos André de Matos
Nara Rúbia de Freitas
Sheila Araújo Teles
INTRODUCAO: Estima-se em aproximadamente 400 milhões de portadores do VHB em todo o mundo. As formas de transmissão deste vírus incluem a parenteral e sexual. Assim, usuários de drogas injetáveis, indivíduos sexualmente promíscuos e que desconsideram o uso de preservativo, como reeducandos (prisioneiros), são considerados de risco elevado para aquisição deste agente. A forma mais eficaz para prevenção do VHB é através da vacinação contra hepatite B, sendo a mesma administrada por via intramuscular, em três doses de 20 µg (adultos), nos meses 0, 1 e 6 meses. Embora, altamente recomendável para a população carcerária, estudos mostram uma baixa cobertura vacinal nesta população. Considerando que existem poucos trabalhos sobre a adesão à vacina contra a hepatite B e que prisioneiros podem ser grandes reservatórios e disseminadores deste agente, nos propomos neste estudo avaliar a adesão à vacina contra a hepatite B em reeducandos da Casa do Albergado, uma unidade da Agência Goiana de Sistema Prisional de Goiás. OBJETIVOS: Investigar a adesão à vacina contra a hepatite B em reeducandos em regime semi-aberto. METODOLOGIA: Estudo realizado de janeiro a julho de 2005, na Casa do Albergado em Goiânia-Go. Os participantes foram entrevistados sobre dados pessoais e, a seguir, a vacina contra hepatite B foi oferecida. RESULTADOS: Do total de reeducandos (N=210), somente 87 aceitaram participar do estudo, sendo que destes, 82 concordaram em receber a primeira dose da vacina contra hepatite B. A segunda dose foi administrada em 63 indivíduos, e a terceira em somente 21 reeducandos. CONCLUSÕES: Uma baixa adesão à vacina contra hepatite B foi verificada em reeducandos da Casa do Albergado em Goiânia, Goiás, independentemente da vacina ser oferecida no ambiente carcerário, em local e horário apropriados para os reeducandos. A hepatite B é um grave problema para a população carcerária, que poderia ser prevenida com a vacinação de rotina no Sistema Prisional. Uma estratégia que poderia ser utilizada é tornar obrigatória a vacinação contra a hepatite B, e outras, administrando-se a primeira dose na entrada do indivíduo na prisão, bem como a utilização de esquemas alternativos como o acelerado, no qual a última dose é aplicada um mês após a segunda dose. Além disto, programas de educação em saúde que incluam a prevenção desta infecção e outras, também contribuiriam para reduzir a elevada endemicidade de infecções no cenário carcerário brasileiro.
Correspondência para: Graziella Elias de Souza, e-mail: graenf@yahoo.com.br
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