Goiânia, 07 de novembro de 2005.

SISTEMATIZAR A ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM: UMA PRÁTICA TRANSFORMADORA

Rosemary Silva da Silveira

Eliana Pinho de Azambuja

Nalú P. da Costa Kerber

Elaine Miranda Pinheiro Elaine Miranda Pinheiro Elaine Miranda Pinheiro

Valéria Lerch Lunardi

Wilson Danilo Lunardi Filho

Marlene Teda Pelzer

Helena Heidtman Vaguetti

O Serviço de Enfermagem do Hospital Universitário de Rio Grande, através de sua área organizacional “Sistematização da Assistência de Enfermagem” (SAE), elaborou um Manual para sistematizar a assistência de enfermagem nesse hospital. Partindo do pressuposto de que a elaboração de um manual, por si só, não garante uma transformação do/no trabalho, efetuou-se um projeto de extensão integrando academia e serviço, com o objetivo de capacitar os enfermeiros para implementação da assistência. Realizou-se sete encontros, de julho a setembro de 2004, participando 29 enfermeiros, os quais foram identificados por números, garantindo seu anonimato. Estimular o processo de SAE não consiste em dizer o que as participantes devem fazer, ou como fazer, mas, sim, favorecer a compreensão do processo de trabalho, através da avaliação e questionamento quanto ao seu modo de ser, fazer e relacionar-se com o outro. Cada enfermeiro fez uma reflexão sobre o seu trabalho enfocando aspectos positivos, como também, evidenciando algumas dificuldades que vem vivenciando como a dificuldade de organização de serviços de apoio, falta de materiais; dificuldades de relacionamentos interpessoais; falta de motivação; falta de reuniões; sobrecarga de atividades. Ao apontar alternativas para concretizar a sistematização da assistência e transformação da prática, a maioria manifestou a necessidade de momentos de motivação. Refletiram que a SAE deve ser entendida como um processo através do qual a equipe de enfermagem pode buscar superar suas imperfeições, preparando-se para a crítica, para o aprender a aprender, para o pensar, para refletir e avaliar a sua atuação. Entender a SAE como um processo que não se esgota, e o mundo do trabalho, como um possível espaço educativo, é o primeiro passo para o crescimento de uma profissão e de seus profissionais. A avaliação é essencial no processo, pois, através dela, pode desenvolver-se uma postura de questionamento, de problematização, de atitude crítica, de reflexão sobre nossas atuações. As participantes foram estimuladas a multiplicar as reflexões efetuadas com o restante da equipe de enfermagem de suas unidades de trabalho, com a elaboração e encaminhamento de um relatório final da atividade proposta à chefia. Dos enfermeiros participantes, onze concluíram a proposta e enviaram os relatórios, o que demonstra a dificuldade de concretização desses espaços, mas, ao mesmo tempo já se mostrou como uma tentativa de transformação da prática de trabalho.

Correspondência para: Rosemary Silva da Silveira, e-mail: anacarol@mikrus.com.br