Goiânia, 07 de novembro de 2005.

CUIDAR DA FAMILIA: PERCEPÇÕES DE ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM

Carla Natalina da Silva Fernandes

Denize Bouttelet Munari

Lourdes Maria da Silva Andraus

O processo de internação hospitalar pode gerar na criança/adolescente e em sua família sentimentos ambíguos, os quais podem estar relacionados com a dor e a cura, o que faz do hospital um local para a troca de experiências dolorosas. O manejo desta situação se constitui numa tarefa complexa para a família, a criança/adolescente hospitalizados bem como para a equipe de saúde que presta a assistência, já que todos estão envolvidos neste processo. Estudo descritivo-exploratório de abordagem qualitativa, cujos objetivos foram identificar a percepção de acadêmicos de enfermagem sobre sua formação para cuidar da família da criança/adolescente hospitalizado e sobre sua participação na assistência à família por meio de atividades grupais. O projeto foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa Médica Humana e Animal do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás e a coleta de dados realizada junto aos alunos por meio de entrevistas semi-estruturadas. Os dados foram submetidos à análise temática conforme pressupostos de Bardin (1979). Os resultados foram apresentados em duas categorias. "Entendendo a formação acadêmica dos enfermeiros para o cuidado da família": na qual os alunos consideram que o ensino oferecido durante a graduação privilegiou a abordagem grupal para o cuidado e a humanização das relações entre família-cliente-enfermeiros, atribuindo grande importância ao aprendizado desse tipo de atividade no cuidado dos familiares por proporcionar momentos de aproximação e facilitação do cuidado oferecido à criança. Na segunda categoria, "O cuidar por meio das atividades grupais" os alunos apontam que o aprendizado dessa prática é facilitado pelo vínculo estabelecido com os familiares e pelo suporte ofercecido pela equipe de enfermagem do serviço. Os aspectos dificultadores foram a ausência de espaço físico adequado, pouco tempo destinado a essas atividades e sentimentos de insegurança do aluno frente a algumas situações que emergiram no espaço grupal, como choro e o medo que alguns familiares expressam neste processo. Esperamos que este estudo possa oferecer subsídios para transformações no cenário do cuidado e do ensino em enfermagem, tendo em vista os desafios de cuidar com qualidade das crianças e seus familiares. Esse processo exige a criação de espaços que permitam a abordagem da dimensão subjetiva do cuidado que envolvem os sentimentos e as interações do profissional com sua clientela no momento da hospitalização.

Correspondência para: Carla Natalina da Silva Fernandes, e-mail: carlanatalina@pop.com.br