Goiânia, 07 de novembro de 2005.

EDUCAÇÃO SEXUAL NA ESCOLA E FAMÍLIA

Mariane Araújo Dias

Mauro Alexandre Araújo Freitas

Márcia Maria Bragança Lopes

As polêmicas e os questionamentos, associados à necessidade de vencer tabus e preconceitos, na maioria das vezes advindos da formação familiar, denotam a necessidade da escola e da família encarar a educação e a orientação sexual das crianças e jovens deste século que se inicia. Diante da realidade vivenciada pelos jovens, onde eles acabam sendo vítimas de uma sociedade onde os padrões de comportamento foram completamente desvirtuados, a Enfermagem, ativa partícipe nas práticas em saúde, considerando seu perfil educativo, deve estar permanentemente envolvida em questões relevantes da saúde do escolar, tal como a educação sexual. Estudar um grupo de adolescentes de uma escola da cidade de Belém – Pará, no que se refere ao seu conhecimento sobre conceitos básicos da educação sexual; sua experiência sexual; o preparo e a contribuição de seus pais e da família em sua educação sexual. O tipo de estudo é quantitativo, com abordagem exploratória descritiva. A amostra composta por 61 entrevistados. O instrumento de coleta o formulário. Os dados coletados nos meses de abril e maio de 2005. Os resultados demonstram que o grupo estudado é composto na maioria por mulheres (52,5%), na faixa etária entre 10 e 14 anos (53,1%), que residem com os pais (83,7%), com renda familiar entre 01 e 05 salários mínimos (47,5%). A escolaridade paterna é mais representada pelo nível superior completo (26,2%) e a materna pelo nível médio completo (29,5%). O conhecimento de conceitos básicos sobre educação sexual foram claramente desfavoráveis (83,6%); a iniciação sexual ainda não é um fato para a maioria (67,2%), no entanto, identificou-se um grupo que iniciou a atividade sexual entre 05 e 12 anos de idade (14,8%). A maior liberdade para falar sobre sexo foi demonstrada com a mãe (41,0%). A falta de diálogo ou a vergonha dificultam a aproximação entre pais e filhos (78,9%). A participação da escola na educação sexual foi citada por 68,9%, entretanto, sua atuação é bastante incipiente. Conclui-se, portanto, que envolver a escola e a família na educação sexual de crianças e adolescentes nos dias atuais tornou-se condição fundamental para a reversão do quadro, cada dia mais grave, em que a sociedade brasileira se encontra, ao observar o crescimento vertiginoso do número de adolescentes que iniciam a vida sexual cada vez mais precocemente e sem a devida orientação e acompanhamento da escola ou família.

Correspondência para: Márcia Maria Bragança Lopes, e-mail: mmbl@ufpa.br