A ORDEM COMO TAREFA - A CONSTRUÇÃO DOS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM
Maria Henriqueta Luce Kruse
Caroline Fortes
Karen Schein da Silva
Rubia Guimarães Ribeiro
Classificar tem o sentido de destacar, segregar. Significa ver o mundo como algo que pode ser formado por entidades distintas que poderiam ser ordenadas em grupos de entidades similares e então tornar real aquilo que se organizou, relacionando padrões estabelecidos com classes diferentes de entidades. Assim, classificar é dar ao mundo uma estrutura. A idéia moderna de ordem é produtiva, pois num mundo ordenado, nós que somos dotados de memória saberemos “como ir adiante”. Essa função classificatória teria como principio combater a ambivalência, pois ela nos deixa dúvidas quanto ao caminho a seguir. Dessa forma, o Diagnóstico de Enfermagem pretende ser um amplo arquivo, que se organiza para conter todos os itens relativos à possibilidade de adoecer ou ser saudável. Esse arquivo permitiu a montagem de um quadro de saberes sobre os indivíduos. Então, neste trabalho pretendemos conhecer o modo pelo qual as enfermeiras construíram esse aparelho documental. Para tanto, fizemos uma análise de textos publicados na Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn) entendendo-a como um dos veículos de disseminação dos discursos autorizados sobre profissão. As citações do periódico nos remeteram a manuais de Diagnósticos de Enfermagem e a bibliografias brasileiras sobre o tema. Esse estudo se inscreve no campo dos Estudos Culturais, particularmente nas vertentes pós-estruturalistas. Nas análises, utilizamos o pensamento de Michael Foucault, aproximando-o dos textos sobre a temática proposta ensaiando uma possível fecundidade desta associação. Como fator emergente, verificamos que o surgimento dessa taxonomia ocorreu num momento em que era necessária a construção de um corpo de conhecimentos próprio da Enfermagem o que lhe atribuiria um status profissional, diferenciando-a da Medicina. Aliado a isso, havia a influência da produção de enfermeiras norte-americanas e canadenses, representando a importação de um novo modelo de assistência. Os fatores delimitantes foram: a melhoria da assistência, a estratégia para o ensino, e, a possibilidade de desenvolvimento de pesquisas, já que os Diagnósticos de Enfermagem têm a pretensão de introduzir o método científico na profissão. Percebemos também, que os discursos da revista atribuem poderes a essa classificação, uma vez que ela traria consigo uma “nova era” para a enfermagem: a Era Científica.
Correspondência para: Maria Henriqueta Luce Kruse, e-mail: mkruse@hcpa.ufrgs.br
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