Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ADESÃO AO TRATAMENTO DE TUBERCULOSE DE PORTADORES DE HIV/AIDS

Adriana da Silva Gomes

Luciana Márcia Felisberto

Denise Camargos Batista

Maria do Carmo Teatini Tavares

Maria Imaculada de Fátima Freitas

A tuberculose (TBC) destaca-se como uma doença reemergente em países ricos e pobres. É um grave problema de saúde pública, relacionado às condições sociais e econômicas, sendo uma das principais complicações entre os infectados pelo HIV. Esta comorbidade acomete as faixas etárias mais produtivas, com grande concentração nos países pobres. A não adesão ao tratamento tem contribuído para o aumento da morbi-mortalidade e para o surgimento de cepas multiresistentes às drogas, aumentando-se assim o número de bacilíferos na população, sendo estes fonte de infecção. Este estudo tem como objetivo conhecer a incidência dos casos de abandono e discutir a não-adesão ao tratamento de TBC associada à infecção HIV/AIDS. Trata-se de estudo epidemiológico de natureza descritiva, realizado no Centro de Treinamento e Referência em Doenças Infecciosas e Parasitárias Orestes Diniz, em Belo Horizonte, Minas Gerais, com usuários que estavam em tratamento ou profilaxia de TBC no período de 01/01/2001 a 31/12/2004. Os dados foram coletados em julho/2005 no Livro de Registro e Controle de Tratamento dos Casos de Tuberculose, nas fichas de dispensação de medicamentos da farmácia e nos prontuários dos usuários. Foram consideradas as seguintes variáveis: faixa etária, sexo, forma clínica da doença, tratamento ou profilaxia, tipo de tratamento e motivo de saída. Os dados foram tratados no EXCEL 2000. Os resultados mostraram que 72% das pessoas têm entre 20 e 49 anos; 60% são do sexo masculino; 68,2% estavam em tratamento e 31,8% em profilaxia; 52,9% evoluíram para cura e 41,9% abandonaram o tratamento (5,2% estão relacionados a outros motivos de saída). Do total de casos, 75,5% (n = 437) são HIV positivos e destes, 43% abandonaram o tratamento/profilaxia de TBC e o uso de anti-retrovirais (ARV). Constata-se um elevado índice de abandono do tratamento/profilaxia da TBC associado à HIV/AIDS, o que exige dos serviços de saúde a busca ativa dos faltosos, novos estudos para compreender as dificuldades dos pacientes e elaboração de novas estratégias para o cuidado. O controle da tuberculose requer ações permanentes e organizadas de forma a atender, integralmente, as necessidades da população, requerendo grande participação e responsabilidade dos setores de saúde para incentivar a adesão. Financiamento: Pró Reitoria de Extensão e CNPq.

Correspondência para: Luciana Márcia Felisberto, e-mail: lulumarciaenf@yahoo.com.br