Goiânia, 07 de novembro de 2005.

PERCEPÇÃO DE MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL

Lilian Conceição Guimarães de Almeida

Normélia Maria Freire Diniz

A violência sexual contra a mulher é um problema de saúde pública. A agressão sofrida tem produzido diversos tipos de distúrbios bio-psico-sociais na vida das mulheres afetadas, dentre eles a infecção pelo HIV. Este estudo teve como objetivo analisar a percepção de mulheres vítimas de violência sexual diante da violência sofrida. A pesquisa teve caráter exploratório e o método eleito foi o qualitativo. Foram selecionadas mulheres vítimas de violência sexual atendidas no Serviço de Atenção a Pessoas em Situação de Violência Sexual –VIVER. A coleta de dados foi realizada no período de agosto a dezembro de 2003; a partir da análise dos registros e entrevistas semi-estruturadas, gravadas e contendo questões norteadoras. Os dados foram organizados com o auxílio da técnica de análise de conteúdo. Para a análise dos dados foi utilizado o referencial de estudos que abordavam violência de gênero e sexual, trauma e estresse. Entre os principais resultados observou-se que a violência foi percebida como uma tragédia, capaz de provocar estresse, trauma, baixa auto-estima e mudança de comportamento. A violência vivida pelos sujeitos do estudo é marcada por fases muito distintas e bem delimitada quais sejam, antes, durante e após a violência. As mulheres entrevistadas falaram das diversas fases porque passaram, ou seja, desde o momento que antecedeu o episódio violento até os dias atuais. O período que precedeu a abordagem violenta foi caracterizado por extrema estranheza ao estupro, as mulheres o viam como algo muito distante, apesar dele fazer parte do contexto em que viviam, não era capaz de atingi-las. O estupro traz consigo o sofrimento e a aproximação com a morte, fazendo com que as mulheres reflitam e (re)conheçam a violência da maneira mais cruel, ou seja, pela própria experiência. A partir daí, a violência deixa de ser algo que é apenas do outro e passa a integrar a sua própria vivência. A realização deste estudo poderá possibilitar a discussão de uma temática ainda polêmica, ajudando os profissionais de saúde a conhecerem a realidade, as dificuldades e os anseios das mulheres que sofreram violência. Este estudo também poderá ainda contribuir para a melhoria da qualidade do atendimento prestado à essas mulheres.

Correspondência para: Lilian Conceição Guimarães de Almeida, e-mail: lilian.enfermagem@bol.com.br