Goiânia, 07 de novembro de 2005.

A FAMÍLIA COMO OBJETO DE ATENÇÃO DA ENFERMAGEM

Maria da Conceição Costa Rivemales

A saúde familiar reflete mais que a ausência de doença em um de seus membros, pois inclui um conjunto de variáveis - biológicas, psicológicas, sociológicas, espirituais – relacionados ao contexto cultural vivenciado pela família. A família no domicílio é configurada como lócus de prática das ações de saúde e da enfermagem mesmo antes desta se institucionalizar como profissão no século XIX. Assim a enfermeira desempenha a atividade peculiar de atuar prestando cuidados aos indivíduos sadios ou doentes, família ou comunidade, objetivando a prevenção de doenças, a manutenção ou recuperação da saúde. A enfermagem no domicílio tem o cuidado (essência da enfermagem) compartilhado com a família que presta cuidados baseados e desenvolvidos nas suas próprias experiências, oriundas do saber popular e dos profissionais de saúde. O Programa de Saúde da Família (PSF) propõe a inserção da família como objeto precípuo de atuação na política de saúde, sendo entendida como sujeito do processo assistencial de saúde, considerando o âmbito domiciliar como um espaço social e histórico em que se constroem as relações intra e extra familiares e no qual ocorrem as lutas pela sobrevivência, pela produção e reprodução. Desta forma a família deve ser entendida a partir do ambiente, pois esse é o espaço onde as pessoas vivem, trabalham e se relacionam. Deste modo o PSF, como forma atual de prestação de serviços, traz para a enfermagem uma multiplicidade de desafios, tais como, modificar a prática de saúde no âmbito da atenção primária direcionando suas ações para a família, unidade complexa de relações sociais, fazer parte de uma equipe multidisciplinar sem uma estrutura de serviços formalizados e o de agregar às suas práticas condutas associadas a esse novo programa.

Correspondência para: Maria da Conceição Costa Rivemales, e-mail: maria_rivemales@yahoo.com.br