HISTÓRIA DE VIDA: UM CAMINHO DE OBSERVAÇÃO PELO GESTUAL DAS PLANTAS
Ruth Natalia Teresa Turrini
Eliana Leite Praça
Carmen Elena Ricci Coelho
Elizabeth Bruno
Os avanços tecnológicos têm distanciado o homem de sua essência e do intercâmbio das relações interpessoais, o que gera um vazio interior e um desconforto emocional. Neste contexto, os profissionais da saúde necessitam incluir em suas atividades abordagens que considerem aspectos emocionais e espirituais homem. A antroposofia oferece por meio da Biografia Humana uma oportunidade para o resgate de nossa individualidade, o reconhecimento das mudanças visíveis (corpo físico) e invisíveis percebidas pela psique. Tudo na natureza se desenvolve em ciclos. A planta segue um ritmo temporal de desenvolvimento, cuja metamorfose se observa no período entre o nascer, crescer, florescer e morrer. Assim, o homem escreve sua história de vida no tempo através de seus pensamentos, sentimentos e ações de acordo com leis de desenvolvimento inerentes à sua vontade que mudam a cada 7 anos. A observação do gestual das plantas permite identificar aspectos do querer, sentir e pensar do ser humano. OBJETIVO: Desenvolver uma estratégia para o reconhecimento das leis biográficas através da observação das plantas. MATERIAL E MÉTODO: O referencial utilizado para esta estratégia foi a observação do gestual da planta proposto por Goethe. Goethe propôs uma observação do objeto em passos: tomar os objetos como são e tentar penetrar sua natureza abstendo-se de qualquer opinião subjetiva; instaurar as condições sob as quais os objetos se inter-relacionam e esperar o que daí resulta. As plantas para o estudo de cada setênio foram escolhidas a partir de suas qualidades terapêuticas. Pela contemplação da planta, buscou-se a realidade do que se expressa na geometria de cada parte da planta, no seu processo de crescimento, no ambiente onde vive, na sua relação com o meio. Esses dados permitiram fazer uma analogia com as características de cada setênio. Os trabalhos em grupo realizaram-se a partir da observação da imagem da planta e de leitura breve sobre sua botânica, com posterior atividade artística (pintura, aquarela, argila, etc). RESULTADOS: Nas vivências artísticas com a planta, o grupo foi capaz de reconhecer fatos marcantes de sua história de vida. A seqüência de desenhos obtidos após o estudo de cada setênio, revelou a biografia de cada participante construída de modo lúdico e com um significado pessoal. CONCLUSÃO: Percorrer este caminho interior leva o indivíduo ao encontro de seus próprios sentimentos e a reconhecer aspectos importantes de sua vida, fortalecendo sua individualidade.
Correspondência para: Ruth Natalia Teresa Turrini, e-mail: rturrini@usp.br |