Goiânia, 07 de novembro de 2005.

PERCEPÇÃO DO ENFERMEIRO QUANTO AO CUIDADO DE ENFERMAGEM

Dayse Thessa Santos de Souza

Adriane Almeida de Souza

Flávia de Jesus Santos

Ana Carla Petersen de Oliveira Santos

Lucimeire Santos Carvalho

Cátia Andrade Silva

Maria da Glória Santa Luzia Dias

O cuidado tem sido uma das maiores preocupações da enfermagem, especialmente no que tange ao modo como é realizado pelos enfermeiros, podendo ser considerado mais do que uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização, o processo de cuidar é, sobretudo, de envolvimento para com o outro. A expressão autêntica do cuidar na enfermagem refere-se a atividades empregadas na assistência, na ajuda ou facilitação do indivíduo ou grupos com necessidades evidentes, ou antecipadas, afim de melhorar as condições do modo de vida humana, ou até mesmo para se defrontar com a morte. O estudo teve como objetivo analisar a percepção do enfermeiro sobre o cuidado de enfermagem em instituições públicas. A pesquisa foi de natureza qualitativa e caracterizou-se como de campo – descritiva. Foi realizada em dois hospitais públicos de referência na cidade do Salvador-Ba, no período de agosto a setembro de 2002. Para coleta dos dados foi utilizada entrevista semi-estruturada. Participaram da pesquisa os enfermeiros assistenciais que trabalhavam no turno da manhã das referidas instituições e que não tinham tido contato prévio com as pesquisadoras. Os dados foram agrupados e analisados de acordo com a temática dos conteúdos presentes nos discursos, destacando-se as seguintes categorias: O cuidado como um assistir biopsicológico; as condições adversas para o cuidar a citar, a falta de entrosamento entre a equipe de enfermagem e ainda a escassez de recursos humanos e materiais. Compreendeu-se, ao final do estudo, que através do discurso das enfermeiras o cuidado ficou limitado ao aspecto físico e psicológico, esquecendo-se do contexto social, espiritual, cultural e da participação da família. Notou-se ainda, que dentre as condições favoráveis e as adversas para a realização do cuidado foi unanimidade destacar apenas a disponibilidade de recursos humanos e materiais, o que retrata uma visão de cuidado limitada a execução de tarefas, quando sabe-se que este se dá nas dimensões da promoção do bem estar, no educar, no estar disponível, na compreensão, na horizontalidade do diálogo. Podemos inferir que a percepção do enfermeiro quanto ao cuidado está meramente relacionada ao aspecto curativo, ou seja, ao cuidado de reparação, o que demonstra a necessidade de uma reflexão profunda a cerca do cuidado como um fenômeno ontológico existencial humano que tem como finalidade assistir o individuo como um ser na sua totalidade e respeitando a sua integralidade.

Correspondência para: Maria da Glória Santa Luzia Dias, e-mail: diasdasilva@ig.com.br