A EFETIVIDADE E A AFETIVIDADE NO PROCESSO DE TRABALHO NA UTI
Enéas Rangel Teixeira
Regina Molina Trajano de Lima
A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) constitui um território, no qual realiza-se a reabilitação do cliente, de modo que as ações do trabalho de enfermagem são essenciais para esse processo. A intensificação da tecnológica na UTI, a ultra-especialização do profissional em prol da cura do cliente e a necessidade para manter a sobrevivência do mesmo, fazem com que o cuidado de enfermagem tenha um enfoque instrumental. Em razão disto, as dimensões expressivas, estéticas e subjetivas não são comumente valorizadas no cotidiano de enfermagem. Assim realizamos um relato de experiência baseado em nossas vivências em UTI de Hospitais Gerais no Estado do Rio de Janeiro. Objetivamos: descrever os aspectos significativos do cotidiano do trabalho do enfermeiro em UTI; analisar os conteúdos emergidos na perspectiva da analise institucional; propor maneiras de abordagem do cuidado que lidam com a dimensão subjetiva diante da ênfase tecnológica. Adotamos como referencial teórico, a análise institucional, a qual vem sendo adotada no Brasil em pesquisas e intervenções no contexto do trabalho institucionalizado. Tal abordagem estuda os aspectos inconscientes, os componentes instituídos e instituintes da instituição. O processo de intervenção e estudo em sócio-análise procura ouvir as diferentes vozes dos sujeitos que constelam o ambiente de trabalho e propõe soluções participativas. Deste modo, percebemos que os aspectos técnicos científicos, as rotinas e as exigências formais da instituição são valorizados no trabalho em UTI, tendo, portanto, maior visibilidade nesse território. Entretanto, os aspectos subjetivos, a relação velada de poder, as dificuldades de relacionamento, o impacto gerado pelas condições de trabalho e as implicações psico-afetivas no cuidado, não são trabalhadas no cotidiano do serviço, de modo satisfatório. Isto devido às exigências do sistema produtivo, mas que acabam gerando sofrimentos psíquicos nos sujeitos. Neste sentido é necessário criar condições pelas quais se lidam com os aspectos objetivos e subjetivos do processo de trabalho no cuidado com seres humanos. Enfim, é importante que a afetividade acompanhe a efetividade no processo de cuidar, envolvendo os agentes que cuidam e os clientes que são cuidados por nós.
Correspondência para: Enéas Rangel Teixeira, e-mail: eneaspsi@hotmail.com
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