Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ANÁLISE DA MORTALIDADE INFANTIL NOS MUNICÍPIOS DO PITS NO CEARÁ

Mércia Marques Jucá

Paulo César de Almeida

A mortalidade infantil é indicador das condições de vida e saúde da população, com tendência, em níveis nacional e estadual de redução. Entretanto, alguns municípios do Programa de Interiorização do Trabalho em Saúde - PITS contrariam essa tendência. A pesquisa teve como objetivo analisar a mortalidade infantil em 10 municípios pertencentes ao PITS, de janeiro a dezembro de 2003, comparando com outros 10 não pertencentes ao Programa. Fez-se o estudo descritivo, com dados secundários do Sistema de Informação de Mortalidade - SIM, Sistema de Informação da Atenção Básica - SIAB da Secretaria Estadual e nos Municípios, através do Instrumento de Investigação do Óbito Infantil. A amostra foi de 84 óbitos, nos 20 municípios. Os resultados apontam para redução da TMI em 70% para os municípios do PITS e 60% para os não PITS, havendo inconsistência entre os dados do SIM e do SIAB, o que notificou 92% dos óbitos. Encontrou-se associação para os municípios do PITS entre a causa do óbito e as variáveis: idade da mãe (p= 0,033), idade gestacional (p=0,001) e aleitamento materno (p=0,011); outras associações foram verificadas entre o peso ao nascer e as variáveis: Índice de Desigualdades Socioeconômica - ISE (p=0,034); idade do óbito (p= 0,003) e local do último atendimento (p=0,001). Para os municípios não PITS observou-se associação entre as variáveis: referência e local do último atendimento (p=0,001). Apesar da maior redução da TMI para os municípios do PITS, nos não PITS verificou-se melhor organização dos serviços de saúde, fato explicado pelo maior tempo de implantação do PSF. Conclui-se que as causas dos óbitos são, na maioria, potencialmente evitáveis por ação oportuna e adequada dos serviços de saúde, independente de mudanças significativas das desigualdades sociais e econômicas. Faz-se necessária ampla discussão em nível local sobre o desempenho dos serviços de saúde e a redução da mortalidade infantil.

Correspondência para: Mércia Marques Jucá, e-mail: merciam@saúde.ce.gov.br