Goiânia, 07 de novembro de 2005.

PODERES E SUPERVISÃO EM ENFERMAGEM: MUDANÇAS E RESPONSABILIZAÇÃO

Eliete Maria Silva

Maíra Libertad Soligo Takemoto

Mauro Antonio Pires Dias da Silva

No processo de municipalização da saúde as práticas de enfermagem são fundamentais na conformação dos modelos assistenciais, não somente pelo seu quantitativo relevante no setor, mas também por tratar-se da categoria profissional responsável por acolher a clientela e juntamente com a equipe multiprofissional dar respostas às demandas expressas e reconhecer as necessidades de saúde, individuais e coletivas. Pesquisamos as práticas das enfermeiras na rede básica de saúde do município de Campinas através de dois momentos distintos de coleta de dados. Iniciamos no primeiro semestre de 2002, com enfoque nas atividades gerenciais, em especial a supervisão realizada pelas enfermeiras, o segundo período deu-se entre dezembro de 2003 e janeiro de 2004, com intuito de reconhecer as transformações vivenciadas pela enfermagem na mudança do modelo assistencial pela adoção (no município como um todo) da estratégia de saúde da família, a partir de 2001. Nos dois momentos realizamos entrevistas e observação do espaço físico e do trabalho realizado pelos agentes. No decorrer dos períodos analisados observamos um maior direcionamento dos enfermeiros para atividades assistenciais diretas, em detrimento da organização geral da unidade básica e do processo de trabalho da enfermagem. Quando nos detivemos a analisar as relações de poder nas atividades de supervisão relatadas e observadas identificamos maior horizontalização das relações, quer dizer, inclusão da equipe na tomada de decisões atinentes aos recursos humanos, maior negociação intra-equipe de enfermagem, com as demandas dos usuários e na construção de projetos terapêuticos, junto com a equipe multiprofissional. Assim, consideramos que o avanço possível na gestão democrática dos serviços públicos de saúde deve incluir a preocupação com a supervisão da equipe de enfermagem e enfaticamente ser considerada como atributo das práticas das enfermeiras em saúde coletiva, como contribuição a um sistema público de saúde equânime e compromissada com as necessidades da população.

Correspondência para: Eliete Maria Silva, e-mail:

emsilva@fcm.UNICAMP.br