Goiânia, 07 de novembro de 2005.

AÇÕES INTERSETORIAIS DE EDUCAÇÃO E SAÚDE: ENTRE TEORIA E PRÁTICA

Débora de Souza Santos

Mauro Antonio Pires Dias da Silva

Centrou-se no estudo de um projeto intersetorial desenvolvido por uma Escola de Ensino Fundamental e uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Campinas, tendo como desafio analisar a partir dos discursos dos atores sociais envolvidos, quais as aproximações e limitações de suas práticas com as respectivas propostas políticas oficiais de Educação e Saúde. Utilizou-se como referencial metodológico para análise dos discursos a representação social, a fim de identificar o saber construído a partir das relações cotidianas individuais e sociais inseridas no coletivo. Assim, resgatamos nos depoimentos dos sujeitos as percepções, conceitos e vivências relacionados às práticas intersetoriais, buscando correlacioná-las ao discurso formal das políticas a este respeito. A partir do estudo do discurso institucional das políticas acerca das concepções de saúde e educação foi possível identificar que, no Brasil, ambos são constitucionalmente tidos como direitos fundamentais do cidadão, sendo de responsabilidade do Estado a criação e desenvolvimento de políticas que visem à promoção da saúde e a educação orientada para o exercício pleno da cidadania dos brasileiros. Além disto, o discurso formal evidencia a proposição de parcerias entre os setores para alcance destas metas, conforme análise dos princípios fundamentais do SUS e do programa Paidéia de Saúde da Família de Campinas. O estudo empírico, realizado mediante entrevistas semi-estruturadas com os sujeitos (profissionais de saúde e educação), buscou contrapor teoria e prática, a fim de identificar os principais avanços, perspectivas e limitações referentes a intersetorialidade. Ao estudar os depoimentos dos sujeitos evidenciou-se que ainda prevalece entre eles uma explicação unicausal do processo saúde-doença, bem como a priorização de atendimentos médicos e individuais. Identificou-se ainda a prática cotidiana de ações educativas verticalizadas e fragmentadas, baseadas na transmissão “acabada” de conhecimentos. Concluímos ainda, que os professores, pais e crianças não participaram de todo o processo do trabalho, ocupando duas funções centrais: apontar os problemas e receber as ações educativas do “pessoal do posto”. No entanto, o trabalho multidisciplinar de saúde e a busca por desenvolver um trabalho intersetorial sistematizado e contínuo entre Escola e UBS demonstraram significativos avanços no desenvolvimento do referido trabalho intersetorial, visando à promoção da saúde.

Correspondência para: Mauro Antonio Pires Dias da Silva, e-mail: mapds@UNICAMP.br