VULNERABILIDADE AO HIV EM BOMBEIROS MILITARES: REDUZINDO RISCOS
Verônica Santos Albuquerque
Corina Machado Molter
Jorge Luiz Barillo
Claudio Sergio Baptista
Míriam Valle Ladewig
Vivian Marinho Rezende Marins
Após 20 anos das primeiras notificações da Síndrome de Imunodeficência Adquirida, o mundo vivencia uma nova fase em que a epidemia mostra não preferir nenhum grupo humano, atingindo homens, mulheres, jovens, adolescentes, crianças e idosos independentemente de status social, religião, sexo, raça, credo ou opção sexual. Os conceitos de “grupos de risco” e “comportamentos de risco” foram superados, levando a conclusão que a vulnerabilidade ao HIV é o resultado de uma situação social de risco que envolve todas as pessoas. Neste sentido, o presente estudo trata do levantamento de fatores relacionados à vulnerabilidade ao HIV em um grupo de Bombeiros Militares do Estado do Rio de Janeiro, além da descrição da experiência de estratégias educativas de redução de risco de contaminação pelo HIV, com base em metodologias ativas. O presente estudo baseou-se nos princípios da pesquisa-ação e vem sendo desenvolvido desde abril de 2005. Os sujeitos do estudo foram 50 combatentes, entre oficiais e praças, do Comando de Bombeiros da Área Serrana. Promoveu-se reunião para apresentação do estudo, ocasião na qual cada militar respondeu individualmente um formulário para levantamento de conhecimentos, práticas e vulnerabilidade ao HIV. Os resultados mostraram que 96% dos bombeiros possuíam vida sexualmente ativa e 32% destes referiram manter relações sexuais com uma parceira fixa e também com parceiros esporádicos. Com relação às práticas sexuais, 92% referiam realizar sexo vaginal, 70% sexo oral e 58% sexo anal. Apenas 24% referiram utilizar preservativo em todas as relações sexuais e 66% se julgavam vulneráveis ao HIV. Algumas concepções dos participantes sobre a transmissão do HIV estavam equivocadas. Disponibilizou-se uma urna no quartel, durante 30 dias, para que fossem depositadas questões, dúvidas, comentários e sugestões. A programação das atividades de educação em saúde se baseou em oficinas organizadas e adaptadas de acordo com a realidade dos militares e de forma que todas as questões depositadas na urna fossem abordadas. A avaliação das atividades mostrou aquisição de novos conhecimentos pelos participantes e desejo de mudança de comportamento por parte de alguns. Pretende-se ampliar a proposta com inserção de novas unidades operacionais da corporação.
Correspondência para: Verônica Santos Albuquerque, e-mail: veronicasalbuquerque@bol.com.br
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