TRANSMISSÃO E PREVENÇÃO DA AIDS: O QUE MUDOU APÓS DUAS DÉCADAS?
Karlúcio de Souza Amaral
Verônica Santos Albuquerque
O início da epidemia da AIDS foi marcado pelo discurso técnico da prevenção da infecção pelo HIV através da circunscrição dos chamados “grupos de risco” e seus comportamentos “desviantes”. As primeiras pesquisas se restringiam a dados estatísticos concernentes às categorias de transmissão e a comportamentos com maior ou menor risco para aquisição do HIV. As noções de “grupos de riscos” e comportamentos “promíscuos” compunham o discurso da ciência e passaram a ser destacados como carro chefe das matérias sensacionalistas da mídia. Atualmente, se faz uma leitura mais ampliada das questões relacionadas à epidemia da AIDS, trazendo em seu cerne implicações sociais e antropológicas, concretizadas no conceito de vulnerabilidade. No entanto, é notório que muitos conceitos ultrapassados arraigados aos primeiros discursos de transmissão e prevenção do HIV ainda estão presente no imaginário das pessoas de um modo geral. O presente estudo trata das concepções da população frente à epidemia da AIDS e seus conhecimentos acerca da transmissão do HIV. O objetivo deste trabalho foi identificar e analisar conceitos sobre as formas de transmissão e prevenção de infecção pelo HIV. Trata-se de uma abordagem de pesquisa quantitativa e descritiva. Os dados foram coletados através de entrevistas com 80 indivíduos participantes de uma atividade de educação para saúde realizada na Praça Ginda Bloch, no município de Teresópolis, em junho de 2005. Para tal foi formulado instrumento com dez sentenças sobre a AIDS, sua transmissão e prevenção. Dentre essas sentenças foram postos mitos e afirmativas verdadeiras. Os sujeitos do estudo as classificavam, então como verdadeiras ou falsas. Foi possível detectar que ainda persistem muitos conceitos distorcidos relacionados aos primeiros discursos vinculados ao surgimento da AIDS, como a crença de que a infecção pelo HIV é condição exclusiva de indivíduos pertencentes a “grupos de risco”, que as relações fixas onde se pressupões confiança e fidelidade são garantias de prevenção da AIDS e que é possível identificar o portador do HIV por características físicas de emagrecimento e aparência de adoecimento. Estes dados apontam para necessidade de estratégias de educação para saúde que busquem desmistificar tais concepções.
Correspondência para: Verônica Santos Albuquerque, e-mail: veronicasalbuquerque@bol.com.br
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