Goiânia, 07 de novembro de 2005.

RELAÇÕES DE DETERMINANTES/CONDICIONANTES AO TRABALHO DA ENFERMAGEM

Juliana Rodrigues

Samanta Andrine Marschall Taube

Maria Ribeiro Lacerda

Marineli Joaquim Meier

Trata-se de uma reflexão que delineia que as práticas de enfermagem estão articuladas à sua evolução histórica e à inter-relação de seus determinantes/condicionantes políticos (econômicos) e sociais. Entende-se que refletir sobre o processo de trabalho da Enfermagem conduz o repensar a dinâmica de sua prática e, assim, transformar a realidade. O objetivo deste artigo foi o de refletir sobre as inter-relações de determinantes /condicionantes históricos, sociais e políticos ao processo de trabalho da enfermagem e, para isso, foi utilizada a pesquisa bibliográfica. O trabalho da enfermagem tem caráter sócio-econômico por fazer parte de uma organização social e econômica de produção e se relacionar a um contexto histórico, social e político (econômico) que determina e condiciona o seu processo de trabalho. Neste artigo, atribuiu-se um único significado aos conceitos de determinante e condicionante: indicadores do modo de ser e fazer da profissão. Relações entre determinantes/condicionantes históricos, sociais, políticos a evolução do processo de trabalho da enfermagem podem ser encontradas em momentos históricos como do Cristianismo, Reforma Protestante, Revolução Industrial (Capitalismo) e Globalização. Esta reflexão possibilitou perceber e compreender inter-relações de determinantes/condicionantes históricos, sociais e políticos ao processo de trabalho da enfermagem na prática devota, caritativa e empírica das religiosas nos hospitais do Cristianismo, no desprestigio, desvalorização e precárias condições de trabalho da Reforma Protestante, nas evoluções da medicina e da tecnologia que emergiram a reforma dos hospitais e determinaram a divisão social do trabalho, a hegemonia da medicina, o modelo clínico de assistência à saúde e a utilização de procedimentos técnico-administrativos na Revolução Industrial (Capitalismo), características do processo de trabalho atual da enfermagem, e na globalização que condicionou competitividade, qualificação, mas, também, estímulo à busca do saber, da reflexão e reconstrução da prática e ensino. Também, observou-se que estas inter-relações transformam e definem modos de ser e fazer da profissão, como produtos de um passado que, ao mesmo tempo, tornam-se parcelas definidoras de seu presente. Pensa-se que esta reflexão possa colaborar ao (re) pensar da prática, com o olhar direcionado aos seus determinantes/condicionantes históricos, sociais e políticos como influenciadores do processo de trabalho da enfermagem atual.

Correspondência para: Juliana Rodrigues, e-mail: junurse2005@yahoo.com.br