Goiânia, 07 de novembro de 2005.

A INTEGRALIDADE DO CUIDADO AO NEONATO: UMA POSSIBILIDADE EM CONSTRUÇÃO

Kênia Lara Silva

Roseni Sena

Suelen Rosa de Oliveira

Elysângela Dittz Duarte

Tatiana Coelho Lopes

Este estudo consiste em uma revisão bibliográfica sobre a prática assistencial ao recém-nascido sob a ótica da integralidade, como parte do projeto “A integralidade do cuidado ao recém-nascido: estratégias que sustentam essa prática”, desenvolvido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Ensino e Prática de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. O estudo justifica-se frente à insuficiência de estudos sobre o tema e à predominância do modelo assistencial médico-centrado, rotinizado, biologicista e não cooperativo, que limita o cuidado ao corpo anátomo-fisiológico do neonato, não valorizando os componentes psicossocial. A revisão tem como objetivo a construção de uma análise crítico-reflexiva das práticas assistenciais dirigidas ao recém-nascido com enfoque na integralidade. O levantamento bibliográfico foi realizado em 5 (cinco) periódicos brasileiros de enfermagem e em livros sobre o tema da integralidade e cuidado ao recém-nascido em unidade de tratamento intensivo, publicados no período de 1999 a 2005. A literatura analisada revela que a integralidade emerge dos processos intersubjetivos e dialógicos, nos quais se busca uma apreensão ampliada e contextualizada das necessidades do neonato; das relações estabelecidas dos profissionais de saúde com o binômio mãe-filho, considerando a mãe/família como sujeito e objeto do trabalho e da ampliação do uso de tecnologias leves, considerando que o trabalho em saúde e em enfermagem tem como eixo o trabalho vivo em ato. A literatura analisa que a integralidade deve ser considerada em toda a cadeia de cuidados progressivos em saúde e esta deve ser centrada nas demandas sociais dos sujeitos. A prática da integralidade exige que a equipe de saúde se organize de forma multidisciplinar e trabalhe com ênfase na interdisciplinaridade. Reconhece-se que as novas práticas são uma proposta para transformar o modelo tecnicoassistencial hegemônico. Concluímos que há uma tendência, ainda que bastante incipiente, na construção de práticas assistenciais integradoras e humanas no cuidado ao recém-nascido. Recomenda-se a capacitação dos profissionais envolvidos e a construção de novas relações sustentadas na comunicação dialógica entre os membros da equipe de saúde.

Correspondência para: Kênia Lara Silva, e-mail: kenialara17@yahoo.com.br