ESTUDANTES EM ESTÁGIO HOSPITALAR: REFLETIR A HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE
Juliana Cristina Casate
Adriana Katia Corrêa
A proposta deste estudo qualitativo é compreender as vivências de alunos do Curso de Graduação em Enfermagem nas situações de estágio no cotidiano hospitalar, refletindo sobre o processo de formação, com ênfase na dimensão humana. Essa compreensão pode oferecer subsídios para a reflexão sobre a humanização da prática em saúde/enfermagem. Neste estudo, foram utilizadas idéias do referencial fenomenológico de investigação qualitativa, considerando a natureza do objeto de pesquisa. Em se tratando de um estudo de iniciação científica, a aproximação à abordagem fenomenológica, limitou-se à valorização do contexto vivencial, à compreensão inicial da dimensão "fenômeno" no enfoque da temática e, principalmente, ao despertar para a possibilidade de desenvolvimento da atitude fenomenológica de acesso aos sujeitos e coleta de dados. Após aprovação do projeto no Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, foram realizadas treze entrevistas individuais com discentes que finalizavam o sexto e iniciavam o sétimo semestre, nos meses de novembro, dezembro de 2003 e fevereiro, março de 2004. Da análise das entrevistas emergiram temas significativos que se configuram nas categorias: Deparar-se com o sofrimento do outro é experiência "humanizante"; Dicotomia saber técnico/saber humano; Valorização da dimensão humana: aprendizagem teórica; A equipe de saúde como modelo de (des) aprender; As experiências de estágio despertam sentimentos nos alunos; Relação aluno-professor: limites e facilidades. É necessário repensar o processo de formação, investindo em ações articuladas que favoreçam transformações nos serviços e nas escolas, envolvendo professores, alunos e trabalhadores, fazendo com que os alunos sejam acolhidos em suas limitações e conflitos, para a formação não estritamente técnica de sua profissão, contemplando também a formação de cidadão, pessoa humana, cujo fazer sempre tem implicações nas dimensões social e existencial.
Correspondência para: Juliana Cristina Casate, e-mail: jcasate@yahoo.com.br
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