Goiânia, 07 de novembro de 2005.

CONVIVÊNCIA COM UM COLEGA NA FILA DE TRANSPLANTE HEPÁTICO

Leila de Souza Santos Abrahão

Leandro Cesar Corrêa

Iani Cristina Bigolotti

Jurema Ribeiro Luiz Gonçalves

INTRODUÇÃO: Como universitários cursando a graduação de enfermagem, convivemos com um colega com diagnóstico de cirrose hepática idiopática e necessitando de transplante. Para Massorollo e Kurcgant (2000), o transplante de fígado é a possibilidade do paciente com doença hepática crônica de reverter à situação. Os discursos proferidos pelo colega de turma demonstrava angústia, sofrimento e temor pela falta de perspectiva em relação ao futuro “ eu me sinto fraco, com medo, e não posso fazer nada para mudar esse quadro”. Para os pacientes esta espera é angustiante, pois nada pode ser feito para mudar a ordem de inclusão da lista. Segundo Oliveira (1995), a qualidade de vida está relacionada ao aspecto emocional, dessa forma o relacionamento com os amigos é importante, de modo que propicia o apoio e acolhimento. OBJETIVO: Relatar a experiência de conviver com um colega aguardando transplante hepático. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo qualitativo que descreve a experiência de conviver com uma pessoa vivenciando a fila de espera para transplante. RESULTADOS: A partir da convivência diária 3 alunos estabeleceram uma interação e vínculo, demonstrando através de uma atitude de disponibilidade, apoio e compreensão no que tange a formação acadêmica e vida pessoal. Para Cianciarullo (2000), “a interação constitui-se como essencial à vida social, permitindo através do relacionamento de seus componentes o entrelaçamento de atos, idéias e sentimentos”. No que tange a problemática vivenciar a fila de espera por um transplante, referida por um dos membros do subgrupo emergiu os seguintes sentimentos: “. . . foi uma lição de vida, mesmo com as dores que apresentava estava sempre sonhando com seu diploma” (A1); “ eu me sentia angustiado, sem poder fazer nada, mas ela estava sempre disposta, mesmo quando dizia que tinha medo do futuro” (A2). Essas falas revelam a importância do aspecto psicológico para garantir a motivação do cliente ao tratamento (MASSAROLLO e KURCGANT, 2001). CONSIDERAÇÕES FINAIS: A convivência com um colega de graduação a espera de um transplante hepático permitiu-nos refletir sobre a importância dos problemas para cada um e a maneira como olhamos para eles interferindo no nosso bem-estar. No que tange a nossa formação profissional acreditamos que o relacionamento interpessoal vivenciado com respeito, disponibilidade e atenção configura-se como um instrumento de assistência do enfermeiro.

Correspondência para: Leila de Souza Santos Abrahão, e-mail: leilaabrahao@yahoo.com.br