EDUCAÇÃO PERMANENTE E EDUCAÇÃO CONTINUADA: PARA ALÉM DAS DIFERENÇAS
Marta Lenise do Prado
Vania Marli Schubert Backes
Maria do Horto Fontoura Cartana
Kenya Schmidt Reibnitz
Sandra Marcia Soares Schmidt
Fabiane Ferraz
Mônica Motta Lino
Sabrina Telma Martins
Na área da saúde, especificamente na enfermagem, a busca por um processo educativo contínuo tem sido uma constante, no sentido de garantir uma assistência de qualidade à população, promovendo e melhorando as competências técnico-científicas, culturais, políticas, éticas e humanísticas dos trabalhadores. Frente a isto, alguns grupos de estudos da enfermagem da UFSC/SC e UFSM/RS, compreendem a educação continuada como um “processo educativo formal ou informal, dinâmico, dialógico e contínuo, de revitalização pessoal e profissional, de modo individual e coletivo, buscando qualificação, postura ética, exercício da cidadania, conscientização, reafirmação ou reformulação de valores, construindo relações integradoras entre os sujeitos envolvidos, para uma práxis crítica e criadora” (BACKES et al. 2002, p. 201). Hodiernamente, percebe-se que esta também é uma preocupação do Ministério da Saúde, no momento que instituiu a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (Portaria nº198/04GM/MS), como estratégia do Sistema Único de Saúde para a formação e o desenvolvimento dos trabalhadores da saúde. Porém, esta entende a educação permanente como uma forma mais abrangente de educação do trabalhador, enquanto formação integral e contínua do ser humano, com um referencial teórico-metodológico problematizador; e, a educação continuada é compreendida como sendo mais estanque, pontual e diretiva. Contudo, conforme apresentado anteriormente, percebemos que alguns grupos de estudos da enfermagem também compreendem a educação continuada dentro de uma concepção mais ampla. Assim, convidamos os trabalhadores da saúde a refletir sobre o seu processo de educação continuada ou permanente, sendo que independente do conceito que nos apropriamos, o que devemos defender e procurar executar, é um processo de educação no trabalho mais abrangente, que atenda aos atuais preceitos filosóficos e políticos, no sentido de valorizar os recursos humanos e efetivar uma práxis comprometida com as reais necessidades da população. Para tanto, percebe-se a necessidade de incorporar na prática, o eixo pedagógico da metodologia problematizadora, efetivando mudanças nos atores do processo, para que estes aprendam a refletir sobre o seu contexto, ou seja, trata-se de uma mudança paradigmática, no sentido de perceber o trabalhador na sua totalidade, compreendendo que este necessita estar continuamente em processo de crescimento pessoal e profissional, elaborando um diagnóstico do perfil da sua práxis.
Correspondência para: Marta Lenise do Prado, e-mail: mpradop@nfr.ufsc.br
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