Goiânia, 07 de novembro de 2005.

UTILIZANDO A TINTA GUACHE COMO RECURSO DIDÁTICO NA TÉCNICA DO CURATIVO

Vania Carla Camargo

Ana Rotília Erzinger

Maria Helena Valle

O fato dos microorganismos presentes em superfícies animadas ou inanimadas não poderem ser visualizados a olho nu muitas vezes leva o aluno a ter dificuldades em “acreditar” na sua existência e compreender como eles podem ser transportados de um local para outro em um simples e rápido movimento das mãos. Ao desenvolver este método de ensino, pensou-se em uma forma de concretizar esta experiência acreditando que torná-los artificialmente visíveis poderia facilitar a compreensão dos conceitos de assepsia e das técnicas e movimentos para procedimentos assépticos. Este trabalho foi realizado junto a um grupo de alunos do 3º período de graduação em Enfermagem e teve por objetivo simular a presença do biofilme existente nas diversas superficies animadas e inanimadas utilizando a técnica da tinta guache. Após a explanação sobre a importância da assepsia nos procedimentos estéreis e no curativo, procedeu-se à demonstração da técnica convencional utilizando-se materiais estéreis e um manequim de feridas. Foram seguidos os passos previstos na Resolução 196/96. Utilizou-se um instrumento para a coleta de dados composto por questões abertas e fechadas. O grupo composto por 51 alunos dos quais 37 participaram efetivamente da técnica. O grupo de prática foi dividido em dois subgrupos, oportunizando-se aleatóriamente a dois alunos realizarem a técnica com a tinta guache. Os demais ficaram responsáveis pela observação de um dos colegas e ao final deveriam devolver o instrumento de observação preenchido. Para simulação utilizou-se tinta Guache em quatro cores, cada uma delas simbolizando um dos biofilmes presentes em cada uma das superficies: vermelha para as mãos de quem realiza o curativo; amarela na pele do paciente; azul: na superfície da mesa e verde no interior da ferida. As informações obtidas foram analisadas segundo os critérios de análise da pesquisa qualitativa. A observação das marcas de tinta no campo, nas pinças, na ferida e nas mãos possibilitou aos alunos perceberem os locais contaminados durante o procedimento e ainda os diferentes tipos de biofilmes existentes. A partir da observação dos alunos dos locais e das formas de contaminação, pode-se ainda demonstrar as possibilidades de quebra da cadeia de transmissão da infecção. Os alunos consideraram a técnica um interessante recurso didático podendo ser utilizada no ensino de outros procedimentos de enfermagem que envolvam técnica estéril.

Correspondência para: Vania Carla Camargo, e-mail: vaniacamargo10@ibestvip.com.br