Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ASSISTÊNCIA DO ENFERMEIRO À SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA DO ADOLESCENTE

Líbne Lidianne da Rocha e Nóbrega

Akemi Iwata Monteiro

Gilson de Vasconcelos Torres

Rosineide Santana de Brito

INTRODUÇÃO: A assistência do enfermeiro à saúde do adolescente organiza-se na estrutura dos serviços de saúde, especialmente, a partir da década de 90 após a oficialização do Sistema Único de Saúde-SUS em 1988. Após a criação do SUS, surge o Programa Saúde do Adolescente-PROSAD em 1989, época em que se delineava a importância do acompanhamento sistemático deste grupo populacional, devido ao seu perfil social e de morbi-mortalidade que se tornava preocupante. A saúde sexual e reprodutiva, enquanto campos de relevância, no que diz respeito aos aspectos peculiares à vida e à saúde do adolescente são inseridas como áreas prioritárias no eixo das Bases Programáticas do PROSAD. Porém, apesar do marco referencial assumido pelo programa à organização de ações voltadas à saúde sexual e reprodutiva do adolescente, os tabus existentes sobre o tema sexualidade e reprodução em nosso meio acabam permeando todas as áreas onde se processam relações sociais e interpessoais. Assim, na própria enfermagem, enquanto instituição social, o tema sexualidade apresenta-se marcado pelo velamento. OBJETIVO: Destarte, o presente estudo objetiva refletir acerca da assistência do enfermeiro à saúde sexual e reprodutiva do adolescente. METODOLOGIA: O estudo do tipo ensaio analítico foi concebido mediante pesquisa bibliográfica de fontes secundárias, revisão integrativa e discussão crítica dos dados bibliográficos obtidos. RESULTADOS: Constata-se que a atenção do enfermeiro à saúde sexual e reprodutiva do adolescente desconsidera a dimensão sócio-político-econômico-cultural na qual se insere este sujeito social e se caracteriza ainda por ser biologizante, coercitiva, amedrontadora e restritiva. Isto reflete os estigmas e tabus acerca da sexualidade presentes na sociedade, que acabam influenciando a formação e a prática desse profissional. Ademais, sua própria formação acadêmica denota a carência de reflexões positivas sobre a sexualidade, sendo esta apreendida apenas mediante uma perspectiva medicalizante. CONSIDERAÇÕES: Percebe-se que se faz necessária a presença e a formação de profissionais críticos e capacitados para a abordagem da saúde sexual e reprodutiva junto ao adolescente, bem como para estar refletindo sobre suas ações e implementando os resultados das reflexões na própria prática. Para isso, os currículos acadêmicos formadores devem estar avaliando a perceptível necessidade de inclusão da discussão positiva acerca da sexualidade no cotidiano dos acadêmicos de enfermagem.

Correspondência para: Líbne Lidianne da Rocha e Nóbrega, e-mail: libnelidianne@ig.com.br