VISÃO DE HOMENS INFECTADOS PELO HIV SOBRE A DOENÇA E O TRATAMENTO
Fernanda Alves de Oliveira
Adriana Costa Gerken
Alexandre José da Silva Coelho
Aglaya Barros Coelho
Mark Drew Crosland Guimarães
Maria Imaculada de Fátima Freitas
Trata-se de pesquisa qualitativa enfocando a visão de homens infectados pelo HIV sobre sua situação, discutindo possíveis relações com a adesão ao tratamento. Foram realizadas entrevistas abertas, gravadas, com 24 homens, atendidos em dois serviços de referência em HIV/Aids em Belo Horizonte. A análise das entrevistas foi realizada utilizando-se a Análise Estrutural de Narração. O resultado da análise indicou que com a descoberta da infecção há sempre reação de choque e negação iniciais, fundada na representação da aids como morte. O início do tratamento representa confirmação definitiva da soropositividade para o HIV, sendo que os efeitos colaterais presentes no início, não são justificativa de não adesão, a longo prazo. As motivações para aderir ao tratamento são: melhora do estado de saúde e aumentar a perspectiva de vida até encontrar a cura para a doença. O sigilo e a bebida são dificultadores da adesão. Para os que mantêm sigilo sobre o HIV, o tratamento é revelador da infecção, mas também uma forma de não deixar que esta transpareça fisicamente. O principal motivo encontrado para se manter sigilo é o medo do preconceito. Poupar a família também aparece como justificativa. Pacientes que quebram o sigilo sentem-se mais fortes. Com o tratamento, há uma mudança na concepção da doença, visão de condenados à morte para uma doença com perspectiva, mesmo mantendo-se a representação mais geral de que é uma doença que mata. Os homens casados submetem-se às vontades das esposas, pois têm medo do abandono e os homossexuais tendem a se afastar dos parceiros. Há uma diminuição do desejo sexual justificada pelo medo de infectar o companheiro(a). Afirmam maior amadurecimento e desejo de aproveitarem a vida, com consciência da importância do bem estar psicológico para o sucesso do tratamento. Pelos resultados, pode-se afirmar que a tendência dos homens é pensar mais neles próprios e tomar os medicamentos para viver mais tempo, mesmo que não haja uma adesão sem falhas. Financiamento: Ministério da Saúde e CNPq.
Correspondência para: Maria Imaculada de Fátima Freitas, e-mail: peninha@enf.ufmg.br
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