CONTEXTOS DA AÇÃO EDUCATIVA DO ENFERMEIRO DO PSF: PARTICIPAÇÃO POPULAR
Líbne Lidianne da Rocha e Nóbrega
Akemi Iwata Monteiro
Bertha Cruz Enders
INTRODUÇÃO: Na rotina de atividades do Programa Saúde da Família-PSF, a Equipe de Saúde da Família-ESF deve realizar ações voltadas para a promoção, proteção e recuperação da saúde, propiciando a participação popular conforme o texto constitucional de 1988, onde o Sistema Único de Saúde-SUS foi instituído. As ações educativas devem contribuir enquanto espaço para construção-reconstrução coletiva de saberes, implicando em melhorias nas condições de vida e saúde da população e para consolidar o processo de cidadania que vem sendo pauta dos programas de ações das políticas para a população. Estas ações fazem parte do dia-a-dia do enfermeiro do PSF, embora possam ter ou não o caráter de atividade programada e executada com a co-participação da população e de acordo com suas necessidades sócio-sanitárias. O cotidiano das práticas do enfermeiro voltadas para a educação em saúde é permeado por aspectos factuais que representam o contexto imediato e o específico, que estão atrelados ao contexto geral e ao metacontexto. Todos revelam aspectos importantes sobre a prática educativa do enfermeiro do PSF. OBJETIVO: Assim, o presente estudo objetiva apresentar os contextos em que se concretizam as ações educativas do enfermeiro do PSF e se tais práticas respeitam o princípio de participação popular. METODOLOGIA: O estudo do tipo ensaio analítico foi concebido mediante pesquisa bibliográfica de fontes secundárias, revisão integrativa e discussão crítica dos dados bibliográficos obtidos. RESULTADOS: O contexto imediato expôs o caráter biologicista-normativo e verticalizante das ações educativas do enfermeiro; o específico denota a não contribuição de gestores, profissionais da ESF e da população no desenvolvimento destas ações; no geral se percebe que as ações educativas sempre estiveram ligadas ao discurso higienista e às práticas normalizadoras de comportamento; e o metacontexto explicita o caráter de inexperiência democrática que faz parte da nossa formação social e cultural. Constata-se que as ações educativas realizadas pelo enfermeiro em nível de PSF não estimulam a participação comunitária. CONSIDERAÇÕES: Percebe-se que o conhecimento dos contextos onde são produzidas as ações de saúde, dentre elas, as educativas, contribui para um olhar crítico sobre as mesmas, apreendendo lacunas e óbices da prática que está sendo reproduzida, se esta favorece os interesses hegemônicos das ações tradicionais de saúde ou a sua mudança, contribuindo com a construção do SUS.
Correspondência para: Líbne Lidianne da Rocha e Nóbrega, e-mail: libnelidianne@ig.com.br
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