Goiânia, 07 de novembro de 2005.

TRABALHANDO SEXUALIDADE DO ESCOLAR: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Terezinha Silvério Melo

Gisleynne M.B.L. Cansado

Júnia Sousa Silva

INTRODUÇÃO: A sexualidade acompanha o ser humano desde a sua concepção, estendendo-se por toda a vida. O indivíduo deve ser percebido de forma integral, em que aspectos sociais, econômicos, psicológicos, culturais, sexuais, entre outros, constituem a formação do ser humano no que tange a sua individualidade, personalidade, comportamento e atitudes, consolidando suas bases na infância. Apesar de o tema ser bastante discutido, ainda existem vários tabus e preconceitos. OBJETIVOS: Identificar percepções, sentimentos e atitudes dos escolares sobre sexualidade e levantar suas fontes de informações. METODOLOGIA: Realizado a partir de projeto de extensão desenvolvido em uma escola municipal de Goiânia com escolares em que se trabalhou diversos temas da saúde, dentre os quais optou-se por sexualidade. Foram realizadas 3 oficinas com grupos focais de escolares na faixa etária dos 6 aos 12 anos. Os participantes foram divididos em 2 grupos (6 - 9 anos e 10 - 12 anos), produzindo cartazes e desenhos que expressavam seus conceitos de sexualidade. RESULTADOS: A interpretação dos cartazes e desenhos mostrou que em ambos os grupos a sexualidade é sinônimo de sexo, pornografia e prostituição, indicando uma visão preconceituosa, de algo proibido, constrangedor e mal visto. Foram citadas como fontes de informação, contribuintes na construção do conceito de sexualidade, a família, a mídia, os amigos e a escola. Tiveram maior relevância os amigos, a mídia e a escola. Fala-se pouco sobre o assunto na família. Os resultados sugerem que a sexualidade deve ser abordada o mais precocemente possível, prioritariamente no ambiente familiar e em integração com a escola, promovendo a possibilidade para que a criança vivencie sua sexualidade de forma ampla e estruturada, desprovida de conceitos e preconceitos equivocados, formando pessoas capazes de fazer escolhas conscientes e seguras. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Trabalhar a sexualidade faz parte do conteúdo programático da escola, porém com abordagem biológica. Acreditamos que a sexualidade deve ser trabalhada de forma integral, identificando percepções e sentimentos dos escolares, valorizando pensamentos e opiniões e proporcionando reflexões para mudanças de comportamento que venham promover saúde, diminuindo os riscos de exposição dessas crianças às gravidezes indesejadas e DST/AIDS na adolescência. Sugerimos que os cursos de enfermagem incluam nos seus currículos o enfoque da sexualidade enquanto necessidade humana básica.

Correspondência para: Gisleynne M.B.L. Cansado, e-mail: gisa_cansado@hotmail.com