PERCEPÇÃO DAS PESSOAS PORTADORAS DE OSTOMIAS NA ATENÇÃO A SEUS DIREITO
Roseney Bellato
Sonia Ayako Tao Maruyama
Wilza Rocha Pereira
Phaedra Castro Oliveira
Estudo de caráter exploratório, com cunho quanti-qualitativo que teve por objetivo compreender como se dá o atendimento aos direitos à saúde de um grupo de pessoas portadoras de ostomias, sendo que partimos do pressuposto de que no contexto da assistência à saúde dessas pessoas, além dos direitos amplos e comuns a todo cidadão existem aspectos específicos de sua condição, definitiva ou não, que os tornam foco de necessidades especiais de atenção que precisam ser sanadas pelos serviços de saúde. Os sujeitos da pesquisa foram 25 portadores de ostomias (ou familiares) que freqüentam o Ambulatório de Ostomias de um hospital público da região centro-oeste, aos quais foi aplicado um questionário elaborado a partir dos seus direitos quanto à informação e participação nas decisões acerca de sua saúde, na relação com os profissionais de saúde e nos direitos a benefícios específicos garantidos por lei. Foi possível constatar que a maioria dos sujeitos do estudo teve a realização de colostomia devido ao câncer, apontando para a permanência definitiva da mesma. Relatam que não participaram das decisões tomadas em relação à realização da mesma, bem como quanto a escolha do local de sua abertura, o que acarreta sérios problemas para o auto-cuidado e ocorrência de complicações locais. Quanto a relação com os profissionais de saúde, apesar de todos os entrevistados ter acompanhamento médico e de enfermagem constante, as informações que recebem estão voltadas, prioritariamente, para o cuidado com o local da ostomia, sendo que quase nenhuma ênfase é dada à questão das mudanças em sua vida decorrentes da realização da ostomia, tanto no campo pessoal, quanto familiar, profissional e social. Também não há orientação acerca dos seus direitos específicos em relação à obtenção de benefícios já garantidos por lei. A desinformação também é percebida quando os entrevistados apontam para o desconhecimento acerca de seu direito relacionado ao recebimento de dispositivos de qualidade e em número suficiente para sua necessidade de maneira gratuita. Esses resultados apontam de maneira clara para a precarização dos direitos à saúde, bem como para a necessidade de uma capacitação, tanto das pessoas portadoras de ostomias como dos profissionais de saúde, para o conhecimento, defesa e ampliação dos seus direitos, sendo que a criação e fortalecimento de associações de ostomizados nos parece uma das formas mais eficazes de garantia à cidadania dessa parcela da população.
Correspondência para: Roseney Bellato, e-mail: roseney@terra.com.br
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