A EQUIPE DE SAÚDE DA FAMÍLIA: CONCEPÇÕES SOBRE AS VISITAS DOMICILIARES
Karen Namie Sakata
Maria Cecília Puntel de Almeida
No Brasil, diversas foram as propostas para a implementação da Atenção Primária à Saúde em substituição ao modelo Médico Hegemônico e a mais recente foi o Programa Saúde da Família – PSF- adotado pelo Ministério da Saúde a partir de 1994. O PSF é uma estratégia com o objetivo de reorganizar a prática assistencial de saúde que até então estava centrada na doença e com ênfase nas ações curativas individuais e de forma fragmentada, em consonância com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Nas atividades atribuídas à equipe de saúde incluem-se as visitas domiciliares as quais serão mais bem abordadas por serem foco de análise no presente estudo e constituírem as atividades externas mais realizadas pelas Equipes de Saúde da Família. As visitas domiciliares, enquanto tecnologia no cuidado à saúde dos indivíduos, contribuem para a almejada mudança no modo de se produzir saúde. Levando-se em consideração a importância da solidariedade, do acolhimento, do vínculo e da humanização como propulsores da mudança no modo de se produzir saúde, o presente trabalho têm como objetivo geral analisar as concepções das Equipes de Saúde da Família sobre as visitas domiciliares no cuidado às famílias. A pesquisa possui abordagem qualitativa. O campo de investigação selecionado para a realização da presente pesquisa será duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) que tenham Equipes de Saúde da Família e dois Núcleos de Saúde da Família (NSF) com seus respectivos profissionais de saúde da equipe multiprofissional. Incluímos os Núcleos de Saúde da Família por serem também locais de ensino e contarem com a presença de corpo docente e discente das instituições de ensino. Em uma UBS e em um NSF será realizado o teste piloto com aproximadamente cinco profissionais de cada local. E na outra UBS e no outro NSF será realizada a coleta de dados propriamente dita. A coleta de dados será efetivada a partir da técnica de entrevista semi-estruturada a ser dirigida pelo pesquisador e efetuada por todos os profissionais da Equipe de Saúde da Família responsáveis pela realização das visitas domiciliares. A escolha foi de realizar gravações das entrevistas, sendo elas posteriormente transcritas, estudadas e analisadas. Horário e local serão estabelecidos por ambas as partes para que possam organizar o tempo e as atividades. A duração das entrevistas não segue um padrão rígido e pode ser elaborada conforme as necessidades. Portanto, os horários e locais pré-formulados poderão sofrer adaptações durante o processo de coleta de dados. Anterior ao início das entrevistas, serão esclarecidas em grupo as características pertinentes à pesquisa e ao processo de efetuação das entrevistas junto aos profissionais de saúde. Só serão entrevistados os profissionais que aceitarem participar e que assinarem o consentimento livre e esclarecido. O Termo de Consentimento assegura a participação livre e voluntária dos entrevistados, mantendo o anonimato, e explicita que a entrevista será gravada e posteriormente transcrita. A análise dos dados será baseada na técnica de análise temática com etapas de pré-análise, exploração do material, tratamento dos resultados obtidos e interpretação. É um projeto de Iniciação Científica em fase de apreciação ética e será avaliado pelo Comitê de Ética da faculdade ou pelo Comitê de Ética das unidades de saúde. O trabalho é parte do projeto “Organização Tecnológica do Trabalho no Cuidado de Saúde da Família” e está sendo efetivado paralelamente a outro projeto de Iniciação Científica que focaliza as concepções das famílias em relação às visitas domiciliares. O desenvolvimento concomitante será pertinente para confrontação dos estudos, pois os objetivos se destinam a analisar as concepções acerca das visitas domiciliares pelos diferentes sujeitos envolvidos, os profissionais e as famílias. Financiado pelo CNPq
Correspondência para: Karen Namie Sakata, e-mail:
krsakata@ig.com.br
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