Goiânia, 07 de novembro de 2005.

VIOLÊNCIA E CAPACIDADE PARA O TRABALHO EM TRABALHADORES DE ENFERMAGEM

Luciana Contrera Moreno

Maria Inês Monteiro

A violência no ambiente de trabalho vem sendo considerada por vários autores como um novo risco ocupacional. Este estudo teve como objetivo conhecer a prevalência da violência no ambiente de trabalho (agressão verbal, agressão física, ameaças, assédio moral e sexual), a avaliação da capacidade para o trabalho e a possível associação entre estas variáveis. Foi realizado um estudo transversal com trabalhadores de enfermagem de cinco Centros de Saúde e de um Hospital geral no município de Campinas-SP. Questionários utilizados: Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT); instrumento para a análise ergonômica do trabalho, questionário com dados demográficos e estilo de vida e outro sobre experiência de violência no local de trabalho. Participaram da pesquisa 269 trabalhadores de enfermagem – enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, sendo a taxa de resposta de 77,3% nos Centros de Saúde e de 79,1% no hospital. Os participantes em sua maioria eram do sexo feminino (82,9%) e com idade média de 38,5 anos (DP 8,7). Com relação à capacidade para o trabalho, 1,8% dos participantes apresentaram baixa capacidade para o trabalho, 26,4% moderada, 51,7% boa e 20,1% ótima. Quanto à violência, 171 (63,6%) sofreram algum tipo de violência no local de trabalho, sendo a natureza mais freqüente a agressão verbal (87,7%); seguido de ameaças (42,7%); agressão física (20,2%); assédio moral (17,8%); assédio sexual (11,7%) e outros (4,7%). Foi encontrada associação estatística significativa entre as variáveis violência e capacidade para o trabalho, no qual as pessoas que sofreram violência apresentaram ICT em média menor em relação aos que não sofreram violência. Estes resultados sugerem a necessidade de ações que visem a promoção à saúde voltada para restauração e manutenção da capacidade para o trabalho bem como medidas de prevenção da violência no ambiente de trabalho. Este trabalho teve o suporte financeiro da CAPES


Correspondência para: Luciana Contrera Moreno, e-mail: lucontrera@universiabrasil.net