Goiânia, 07 de novembro de 2005.

RISCOS À SAÚDE NO TRABALHO DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE

Degmar Aparecida Netto Rossi

Luciana Contrera Moreno

O trabalho do Agente Comunitário em Saúde é extremamente novo, sendo um trabalhador da área da saúde que convive com os problemas sociais da comunidade e desta forma também está sujeito a inúmeros riscos à saúde no trabalho. Esta pesquisa teve como objetivo analisar os riscos na saúde existentes no trabalho do Agente Comunitário de Saúde (ACS) do município de Sidrolândia-MS. Para a coleta de dados foram utilizados um questionário com perguntas abertas e fechadas contendo: as características sóciodemográficas e de estilo de vida, os acidentes de trabalho sofridos, os riscos à saúde no trabalho, as principais doenças com diagnóstico médico e também as auto-referidas, além da realização da Análise Ergonômica do trabalho (AET). Foram entrevistados 41 indivíduos no período de abril a maio de 2005, em todas as Unidades Básicas de Saúde da Família urbanas e rurais do município. Dos indivíduos pesquisados, 92,68% relataram que o seu trabalho afeta a sua saúde e dos riscos por eles citados estão em destaque os ergonômicos e psicossociais (dor de coluna, mochila pesada, desgaste físico, movimentos repetitivos, estresse, desgaste psicológico). Também foram citados os riscos físicos (exposição ao sol e chuva), biológicos (doenças contagiosas), químicos (poeiras) e de acidentes de trabalho (mordida de cão, picada de insetos). Nos relatos de doenças diagnosticadas estão presentes problemas de coluna com 17,07% e hipertensão arterial com 14, 63%. Com relação aos acidentes de trabalho, 26,82% dos ACS já sofreram algum tipo, sendo os mais comuns as quedas de bicicleta. Nos dados da análise ergonômica do trabalho também se destacaram os riscos ergonômicos devida a alta demanda física de trabalho encontrada como percorrer grandes distâncias (em média 6. 000m por dia) além de carregamento de peso e tarefas que envolvem movimentos repetitivos. Podemos concluir que são muitos os riscos à saúde do ACS, sendo os riscos ergonômicos os de maior prevalência. A busca para a promoção e a prevenção destes eventos está principalmente na educação e conscientização destes trabalhadores em relação aos riscos no seu trabalho, do uso de adequado e freqüente de equipamentos de proteção individual e de adoção de medidas ergonômicas, no qual o profissional enfermeiro como membro da equipe de saúde da família pode contribuir diretamente com estas ações para a melhoria da qualidade de vida e de trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde.

Correspondência para: Luciana Contrera Moreno, e-mail: lucontrera@universiabrasil.net