A EQUIPE DE ENFERMAGEM DIANTE DO CLIENTE ONCOLÓGICO TERMINAL.
Sheila Filgueiras da Silva Pires
Michelle Guedes Gama
Valéria Almeida Rodrigues
O interesse pelo presente estudo surgiu a partir da percepção das autoras diante das situações do cotidiano da assistência de enfermagem ao cliente oncológico terminal em que o sofrimento e a morte, fazendo parte desse cotidiano, configuram as mais variadas reações nas equipes de enfermagem que prestam assistência a essa clientela. Lidar com a vida, com a cura é o desejo da maioria dos profissionais da saúde, porém as situações em que a morte é iminente, é singular. Este estudo objetivou verificar a configuração da equipe de enfermagem em relação ao cliente oncológico terminal, investigar os fatores que levam os profissionais a apresentarem reações diferenciadas diante desses clientes e sensibilizar a equipe enfermagem no enfrentamento das dificuldades encontradas em seu cotidiano da prática, tomando por base o cuidado humanizado. Metodologicamente é uma pesquisa exploratória com abordagem qualitativa, realizada com profissionais de enfermagem, em uma unidade de clientes com doença neoplásica avançada no Estado do Rio de Janeiro. Os participantes desta pesquisa foram quatro enfermeiros que atuam na rotina da referida unidade. Utilizou-se com instrumento de coleta de dados uma entrevista semi estruturada, utilizando um questionário contendo apenas duas perguntas abertas. Através das respostas aos questionamentos obtivemos para a realização da análise dois eixos temáticos: a fragilidade diante do inevitável e a necessidade de instrumentalização para os cuidados ao fim da vida. A pesquisa mostrou que profissionais de enfermagem encontram grande dificuldade em lidar com o cliente fora de possibilidades de cura, surgindo assim à tristeza, angústia, medo e sensação de impotência. Por isso, acreditamos ser necessária uma maior compreensão dos seus próprios sentimentos, onde as possibilidades de monitorar e amparar as emoções vivenciadas por si e pelo outro no ambiente hospitalar se torna um facilitador no enfrentamento das adversidades do dia-a-dia, participando assim ativamente no tratamento e no apoio emocional aos clientes. Trazendo a luz os cuidados paliativos, que é uma realidade que está apenas no início, sendo seu principal alvo a garantia da melhor qualidade de vida, tanto para o paciente quanto para seus familiares, configurando um cuidado humanizado.
Correspondência para: Sheila Filgueiras da Silva Pires, e-mail: sheilafilgueiras@ig.com.br
|