AS CONTRADIÇÕES NO CENÁRIO DA AMAMENTAÇÃO
Rosana de Carvalho Castro
João Aprigio Guerra de Almeida
Discutir a ambigüidade entre o incentivo à amamentação e a necessidade de inibir a lactação em tempos de AIDS, através da revisão dos modelos assistenciais prescritos pelas políticas públicas de saúde, analisando as concepções dos profissionais de saúde com relação a contra-indicação da amamentação no cenário de atendimento as mulheres soropositivas para o HIV no ciclo gravídico-puerperal, conhecendo a percepção que as gestantes e puérperas HIV+ têm em relação a amamentação e, enfim, contribuir na elaboração de novas propostas de assistência para gestantes e puérperas HIV+, compatibilizando biosegurança com questões singulares, subjetivas, éticas, legais e políticas que permeiam a assistência em amamentação. Foi uma pesquisa qualitativa em saúde, balizada pelas representações sociais, utilizou a análise de conteúdo/modalidade temática como ferramenta para interpretação das 18 entrevistas realizadas no Instituto Fernandes Figueiras/FIOCRUZ/MS. Foram entrevistados 11 profissionais de saúde, dessas análises emergiram as seguintes categorias temáticas: condutas assistenciais/protocolos normativos; contradições na prática assistencial/ambigüidade - incentivo X inibição da lactação; dificuldades/soluções. Das 07 entrevistas com as mulheres HIV+ (gestantes e puérperas) foram analisadas as seguintes categorias temáticas: desejo de amamentar/cuidado com a saúde do filho; ambiente hospitalar/ambiente sócio-familiar. A possibilidade de confrontar o discurso (dito/oficial) com a prática (oculto/vivido), mostrou a emergente necessidade de rever o modelo assistencial em amamentação no sentido de construir um novo modelo de assistência que possa dar voz às mulheres portadoras do HIV.
Correspondência para: Rosana de Carvalho Castro, e-mail: rocar.castro@ig.com.br |