Goiânia, 07 de novembro de 2005.

A HUMANIZAÇÃO E SEUS MÚLTIPLOS DISCURSOS

Caroline Pimenta de Oliveira

Maria Henriqueta Luce Kruse

Os discursos sobre a humanização da assistência à saúde têm sofrido transformações em seu significado ao longo tempo, pois este termo tem sido empregado constantemente para justificar um amplo conjunto de iniciativas na área da saúde. A escolha deste tema se deve a diversas situações que me fizeram questionar a assistência à saúde prestada aos indivíduos e as características que lhe foram conferidas para torná-la humanizada. As questões que elaborei para abordar o tema são: que significados sobre humanização são encontrados na literatura de enfermagem? Como se dá a construção desses discursos? Desenvolvi meu estudo através de uma pesquisa bibliográfica e as análises foram pautadas por uma hipótese de leitura de textos que se referem ao tema publicados na Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn), por entender que aí estão as vozes autorizadas a falar pela enfermagem. Busco refletir sobre os significados deste termo, suas marcas específicas e a que estão relacionados, inspirada nas idéias de Michel Foucault, especialmente seu conceito de discurso. Assim, tomo discursos como capazes de produzir subjetividades, isto é, influenciar naquilo que pensamos de nós mesmos e do mundo. Identifico que as condições do aparecimento dos discursos são: as características do profissional de enfermagem, a associação do significado de humanização ao conhecimento científico e, a reafirmação de seu tradicional significado adequando-o a nova política de saúde. Como instâncias delimitadoras deste discurso temos: a enfermagem e suas instituições na medida em que afirma no seu ideal e nas suas práticas o que significa humanização. O governo, num primeiro momento, ao instituir um modelo assistencial hegemônico, centrado na medicina, e posteriormente, ao incorporar a humanização como um princípio de gestão. E a tecnologia, representada pelo conhecimento e instrumentos que produzem determinados modos de fazer e cuidar, aqui considerada em oposição ao processo de humanização da assistência. Seguindo uma cronologia crescente apresento os sentidos que a humanização teve em cada época distinta, a partir dos primeiros artigos, na década de 70, até os dias de hoje. Minhas análises se desenvolveram sem a preocupação de considerar que os discursos teriam um sentido verdadeiro ou falso. Observei que os sentidos da humanização não se anulam, mas se superpõe, uns em relação aos outros, compondo uma trama de relações que constituem o que é tomado como verdade.

Correspondência para: Caroline Pimenta de Oliveira, e-mail: carolenf05@yahoo.com.br