FATORES DE RISCO PARA CÂNCER DE MAMA EM FAMILIARES DE MASTECTOMIZADAS
Isabela Melo Bonfim
Ana Fátima Carvalho Fernandes
Paulo César Almeida
O câncer de mama tem como um dos principais fatores de risco para o seu desenvolvimento, o parentesco em primeiro grau com um paciente com neoplasia mamária. O estudo teve como objetivos: Caracterizar sócio-demograficamente as familiares das mastectomizadas de uma instituição referência no atendimento a pacientes com câncer; Identificar fatores de risco para câncer de mama entre as familiares; Descrever práticas de autocuidado adotadas por mães, filhas ou irmãs de mulheres mastectomizadas; Detectar causas atribuídas pelas mulheres ao surgimento do câncer de mama de suas familiares; Verificar a existência de associação entre as variáveis estudadas. Pesquisa descritiva com abordagem quantitativa, realizada de abril e maio de 2005. Utilizou-se um questionário semi-estruturado, aplicado a mulheres, familiares de mastectomizadas em tratamento quimioterápico. A amostra constou de 100 mulheres, sendo 56 filhas, 42 irmãs e 2 mães de mastectomizadas. As mulheres eram em sua maioria (82,0%) católicas, casadas (51,0%), tinham ensino médio ou superior completo (41,0%), ganhavam entre dois e três salários mínimos (28,0%) e tinham o comércio como principal atividade profissional (26,0%). A maioria das filhas (35,8%) estava na faixa etária de 18 a 28 anos com média de 33 anos. Entre as irmãs, a maioria (38,0%) tinha entre 49 e 59 anos com média de 51 anos. Na amostra formada por filhas (N = 56), encontrou-se em sua maioria, fatores de risco como: idade da 1a. menstruação inferior ou igual a doze anos (46,5%), nuliparidade (39,2%), uso de anticoncepcional oral (CO) (62,5%), tempo elevado (mais de 5 anos) de uso de CO (42,9%), consumo de gordura de porco (51,8%) e consumo de alimentos enlatados (51,8%). Nas entrevistadas irmãs de mastectomizadas (N = 42), identificou-se fatores de risco para o desenvolvimento da neoplasia mamária em sua maioria: faixa etária de risco (38,0% têm idade entre 49 e 59 anos) ocorrência de abortos (80% sofreram um aborto), uso de anticoncepcional oral (66,6%), ingestão de álcool (69,0%), consumo de gordura de porco (64,2%) e consumo de alimentos enlatados (71,4%). A maioria das mulheres, associa o surgimento do câncer de suas familiares ao uso de anticoncepcional, e que têm o hábito de realizarem práticas de auto-cuidado como auto-exame, exame clínico e mamografia, embora algumas não os realizem na freqüência preconizada. Sugere-se a criação de novos programas de educação para a saúde, que sejam direcionados especialmente à essas familiares.
Correspondência para: Isabela Melo Bonfim, e-mail: isabelambonfim@hotmail.com
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