Goiânia, 07 de novembro de 2005.

DIFICULDADES NA ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS E SEGURANÇA DO PACIENTE

Daniela Odnicki da Silva

Cris Renata Grou

Adriana Inocenti Miasso

Silvia Helena de Bortoli Cassiani

Ao entendermos a prática de administração de medicamentos como voltada à assistência segura do paciente, tentamos percebê-la numa abordagem ecológica, dentro do contexto dos sistemas de saúde. No Brasil, enfermeiros supervisionam auxiliares e técnicos de enfermagem responsáveis pela maior parte do preparo e administração de medicamentos ao paciente. Durante a realização dessa prática, dúvidas são freqüentes. Este estudo analisou as questões apresentadas aos enfermeiros por técnicos e auxiliares de enfermagem durante o preparo e administração de medicamentos aos pacientes internados em um hospital geral Trata-se de um estudo descritivo-exploratório. O Pensamento Ecológico constituiu a abordagem teórica que norteou o desenvolvimento do mesmo. Foi realizado nas unidades de internação clínica, cirúrgica e terapia intensiva de um hospital geral do interior do estado de São Paulo. Durante um mês as investigadoras entregaram um formulário aos enfermeiros de plantão, nas unidades, requisitando que os mesmos anotassem as questões de auxiliares e técnicos de enfermagem que lhes foram endereçadas, referentes à terapêutica medicamentosa. O formulário solicitava: data, clínica, questão expressa e categoria do profissional, resposta emitida e fonte de obtenção da mesma. As 255 dúvidas apresentadas foram categorizadas em: diluição do medicamento (40,4%); administração do medicamento (15,7%); interação medicamentosa (11%); infusão do medicamento (7,5%); preparo do medicamento (7,5%); indicação do medicamento (5,5%); ação do medicamento (4,3%); cálculo do medicamento (4,3%); nome genérico ou comercial (2,0%); prescrição médica (1,6%); condições do paciente (0,4%). Com relação à fonte de obtenção da resposta, somente 7,5% destas foram obtidas através dos profissionais da farmácia. A maior percentagem (39,2%) foi obtida através da literatura. Quanto à correção, 64,5% das repostas estavam corretas, 18,4% incorretas e 17,1% parcialmente corretas. Sabe-se que inexistem farmacêuticos nas unidades de internação nos hospitais brasileiros os quais poderiam, juntamente com a enfermeira, facilitar a orientação dos profissionais de enfermagem quanto aos medicamentos, no momento do preparo e administração dos mesmos, bem como, ao próprio paciente. Ressalta-se que 35,5% das respostas emitidas pelos enfermeiros estavam incorretas ou parcialmente corretas o que pode constituir fator para erros na administração de medicamentos.


Correspondência para: Daniela Odnicki da Silva, e-mail:

daniodnicki@yahoo.com.br