Goiânia, 07 de novembro de 2005.

MORTALIDADE INFANTIL: LINKAGE DE BANCOS DE DADOS

Cristiana Ferreira da Silva

Álvaro Jorge Madeiro Leite

Nádia Maria Girão Saraiva de Almeida

Rogério Costa Gondim

INTRODUÇÃO: O estudo dos fatores de risco dos óbitos entre crianças menores de um ano possibilita a elucidação da rede de eventos determinantes, identificação de grupos expostos, bem como das necessidades de saúde de subgrupos populacionais, permitindo a programação de intervenções voltadas à redução dos óbitos infantis. O interesse em relacionar registros em diferentes bases de dados vem aumentando progressivamente, de acordo com a crescente disponibilidade de grandes bases de dados informatizados na área da saúde. O presente estudo mostra os resultados da linkage das informações dos Sistemas de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) e sobre Mortalidade (SIM) na determinação das mortes infantis do município de Maracanaú, Ceará. OBJETIVO: Analisar fatores de risco para a morte de crianças menores de um ano de idade, do município de Maracanaú, Estado do Ceará, entre os anos de 2000 e 2002, através do uso vinculado das informações do SINASC e SIM. METODOLOGIA: Estudo do tipo coorte retrospectiva de nascimentos. A população constituiu-se de 11. 127 nascimentos vivos com declaração de nascido vivo (DN) preenchida, ocorridos de 01/Jan/2000 a 31/Dez/2002, filhos de mães residentes em Maracanaú e de 119 óbitos infantis relacionados a essa coorte de nascidos vivos, com declaração de óbito (DO) ou instrumento de investigação de óbito infantil preenchidos, ocorridos de 01/Jan/2000 a 31/Dez/2003. Os fatores de risco para a mortalidade infantil foram estimados através da regressão logística. RESULTADOS E DISCUSSÃO: O modelo da análise multivariada para a mortalidade infantil mostrou que os nascidos vivos com baixo peso ao nascer apresentaram risco 3 vezes maior de morte antes de completar o primeiro ano de vida quando comparados aos de peso igual ou superior a 2. 500g (OR = 3,16; IC95% 1,58-6,35), os nascidos vivos prematuros tiveram risco de morte 2,7 maior do que os de termo (OR = 2,70; IC95% 1,25-5,86), nascidos vivos de mães com o número de consultas pré-natal igual ou menores a 6 (OR = 2,05; IC95% 1,15-3,64) e nascidos vivos cujo escore de Apgar no primeiro (OR = 4,40; IC95% 2,48-7,81) e quinto (OR = 5,5; IC95% 2,75-11,20) minutos de vida foram inferiores a sete. Esse estudo possibilitou o uso das bases de dados de nascimentos, óbitos através do emprego de procedimento de ligação (linkage), sugerindo o seu emprego por parte do nível municipal de atenção à saúde.

Correspondência para: Cristiana Ferreira da Silva, e-mail: cristianaferreirasilva@yahoo.com.br